
O controverso rapper americano Kanye West, conhecido legalmente como Ye, sofreu mais um duro revés em sua tentativa de realizar apresentações em solo europeu. O governo da província de Reggio Emilia, localizada no norte da Itália, proibiu oficialmente a realização do show do artista, que estava agendado para o dia 18 de julho como parte do festival Pulse of Gaia.
A decisão foi confirmada pelo prefeito da província, Salvatore Angieri, por meio de um comunicado oficial. O despacho atendeu a uma série de apelos formais emitidos por diversos organismos de direitos humanos e, principalmente, pela comunidade judaica local, que manifestou profundas reservas e repúdio à presença do cantor na região.
As autoridades italianas justificaram o veto com base na necessidade de preservação da ordem pública. O cancelamento também acabou afetando o show do rapper Travis Scott, que se apresentaria no mesmo local no dia 17 de julho.
— A decisão foi tomada por razões de proteção da ordem e da segurança públicas, levando em conta a proximidade dos eventos e a grande afluência de público prevista em um intervalo de 24 horas. Na avaliação geral, também pesaram o cancelamento de shows anteriores do rapper em outros países e o risco concreto de contramanifestações violentas — detalhou a nota oficial da prefeitura.
West vem enfrentando um forte boicote global devido ao seu histórico recente de declarações públicas de teor antissemita, além do lançamento de canções contendo apologia a Adolf Hitler. O cantor, que já foi diagnosticado com transtorno bipolar, costuma atribuir seus posicionamentos erráticos à sua condição de saúde mental.
A decisão da Itália não é um caso isolado. A turnê internacional de Kanye West transformou-se em um imbróglio diplomático e comercial em diversos países do continente europeu nos últimos meses:
Reino Unido: O governo britânico proibiu formalmente a entrada do rapper no país, cancelando o festival onde ele se apresentaria em julho.
França: Uma apresentação planejada para a cidade de Marselha foi sumariamente cancelada pelas autoridades locais.
Suíça e Polônia: O músico foi formalmente impedido de agendar datas e subir aos palcos.
Na tentativa de mitigar os prejuízos e limpar sua imagem institucional, West chegou a publicar um anúncio de página inteira no jornal norte-americano Wall Street Journal, afirmando textualmente que não é "nem nazista nem antissemita" e que "ama o povo judeu". A retratação, contudo, não tem sido suficiente para convencer os órgãos de segurança internacionais.
Apesar do veto na Itália, o rapper conseguiu se apresentar em Istambul, na Turquia, no último sábado (30). O cronograma do artista ainda prevê passagens pelos Países Baixos em junho, Tirana (Albânia) no início de julho e Praga (República Tcheca) no final do mesmo mês, sob forte monitoramento das autoridades locais.