Quarta, 11 de Fevereiro de 2026
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A imagem dos municípios e o desafio de comunicar sem perder a essência

Rodrigo Ricieri comenta sobre a dificuldade dos prefeitos em esconder problemas e equilibrar o discurso.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
11/02/2026 às 10h06
A imagem dos municípios e o desafio de comunicar sem perder a essência

A forma como uma cidade se apresenta ao mundo é tão importante quanto as ações que realiza internamente. A imagem institucional de um município, construída ao longo de décadas, influencia diretamente na atração de turistas, investimentos e na autoestima da própria população. No caso de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, essa construção sempre esteve associada à qualidade de vida, ao desenvolvimento humano, à hospitalidade e à capacidade de acolher bem quem chega.

Nos últimos tempos, porém, observa-se uma mudança significativa na narrativa pública. O discurso institucional tem priorizado, com frequência, temas relacionados à violência, ao combate às drogas, aos problemas urbanos e às dificuldades enfrentadas pelo poder público. Evidentemente, essas pautas são legítimas, necessárias e não podem ser ignoradas. A transparência é um valor essencial e a sociedade precisa conhecer a realidade que enfrenta.

No entanto, quando essa comunicação passa a dominar a agenda e ocupar grande parte do espaço midiático, surge um efeito colateral relevante: a percepção externa do município se altera. A cidade deixa de ser vista prioritariamente como um destino de acolhimento, desenvolvimento e oportunidades e passa a ser associada, muitas vezes, a um território marcado por problemas.

Esse impacto não é apenas simbólico. Ele se reflete na forma como turistas escolhem seus destinos, como investidores analisam riscos e como moradores passam a se sentir em relação ao lugar onde vivem. A imagem de uma cidade é um ativo estratégico, e sua manutenção exige equilíbrio entre a divulgação das dificuldades e a valorização das conquistas.

Bento Gonçalves, historicamente, destacou-se pelos índices de desenvolvimento humano, pela força do turismo, pela organização urbana e pela hospitalidade. Esses atributos não desapareceram. Eles continuam presentes no cotidiano da cidade, nas empresas, nos serviços, nas pessoas e na cultura local. O que mudou foi, em grande parte, o foco da narrativa pública.

É natural que municípios enfrentem problemas de saúde, trânsito, segurança e mobilidade. Todas as cidades crescem e passam por transformações. A diferença está na maneira como esses temas são comunicados e contextualizados.

A comunicação institucional precisa ser estratégica e responsável. É possível falar sobre desafios sem perder a identidade construída ao longo dos anos. É possível combater problemas sem permitir que eles definam a cidade por completo. E, sobretudo, é possível manter viva a reputação de um município que sempre se destacou por sua capacidade de desenvolvimento e acolhimento.

Quando uma cidade passa a ser reconhecida apenas pelos seus conflitos, ela corre o risco de cair na vala comum da percepção pública, tornando-se apenas “mais uma” entre tantas que enfrentam dificuldades. E Bento Gonçalves nunca foi apenas isso. Sempre foi referência regional e estadual em organização, turismo, empreendedorismo e qualidade de vida.

O desafio, portanto, não é esconder problemas — mas equilibrar o discurso.

Preservar essa imagem é também preservar a história, a identidade e o futuro da cidade. Afinal, a forma como nos apresentamos ao mundo influencia diretamente as oportunidades que teremos amanhã. E Bento Gonçalves, pela sua trajetória e relevância, merece continuar sendo reconhecida por tudo aquilo que a tornou referência — e não apenas pelos desafios que, como qualquer cidade em desenvolvimento, precisa enfrentar.

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