
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que a retomada do curso normal do vínculo bilateral entre Brasil e Argentina exige a interrupção imediata das agressões dirigidas pelo presidente argentino, Javier Milei. Em entrevista concedida ao jornal argentino Clarín, o diplomata enfatizou que o governo brasileiro considera a relação com Buenos Aires primordial, mas ressaltou que as ligações diplomáticas permanecem rebaixadas e conduzidas por encarregados de negócios devido a ofensas proferidas contra o país, suas instituições e autoridades.
Durante a entrevista, Vieira classificou como falsas as alegações de que o Executivo brasileiro teria financiado uma campanha internacional de desinformação contra a Argentina. O chanceler explicou que o retorno do embaixador brasileiro, Julio Bitelli, a Buenos Aires dependerá da cessação dos ataques públicos, condição idêntica para a restauração completa da representação argentina em Brasília. Paralelamente, Milei segue utilizando suas redes sociais para compartilhar publicações críticas e ataques direcionados a autoridades brasileiras e a veículos da imprensa.
Além da situação na América do Sul, Mauro Vieira abordou o atrito diplomático com os Estados Unidos envolvendo a indicação de Daniel Perez para o posto de embaixador no Brasil. Conforme o ministro, a divulgação pública da consulta formulada por Washington feriu os protocolos da Convenção de Viena, que estabelecem caráter reservado para o procedimento de agrément.
Resumo dos pontos declarados pelo chanceler:
Relação com a Argentina: Normalização condicionada ao fim das agressões morais de Milei contra poderes e autoridades brasileiras.
Representação diplomática: Retorno dos embaixadores às respectivas capitais segue suspenso até que haja recuo nos ataques.
Acusações de financiamento: Vieira rebatia e negou qualquer financiamento brasileiro contra a Argentina.
Atrito com os EUA: Crítica ao vazamento do pedido de agrément e à suspensão de visto diplomático como forma de pressão.
O chanceler classificou a suspensão do visto da embaixadora brasileira como uma tentativa inadequada de pressão sobre o governo brasileiro. Vieira reafirmou que o país prefere negociações diretas a sanções e que o pedido de concessão do placet não possui prazo fixado pelas normas internacionais.