
Pra quem convive com as gerações Z e Alfa.(Parece que ouço perguntas. O que é isso?)
Vamos as explicações:
Geração Z: nascidos entre 1997 e 2012, em 2026 com 14 a 29 anos.
Geração Alfa: nascidos entre 2010 e 2024, em 2026 com 2 a 16 anos.
Beleza? Tudo esclarecido?
Pois bem, os movimentos Six Seven e Farmar Aura são movimentos que nasceram nos EUA. (Enquanto exportamos commodities, importamos aculturação).
Six Seven (67) – tem referência ao atleta de basquete LaMelo Ball, cuja altura é de 6 pés e 7 polegadas (6'7"), ou 2,01 metros. Em 2024, o rapper Skrilla lança a música "Doot Doot (6 7)", que passa a ser usada em vídeos de basquete no TikTok, onde aparece LaMelo Ball. No ano de 2025, o youtuber Cam Wilder posta um vídeo viral mostrando um menino fazendo movimentos, como se estivesse jogando uma bola de uma mão para outra e falando "6 7".
Já o Farmar Aura são duas palavras do mundo dos gamers (jogadores de videogame).
Farmar é acumular recursos, experiência ou pontos no jogo. Aura é uma palavra usada como forma de medir carisma, a presença ou o "nível de respeito" de alguém. Quanto mais aura, melhor. Em 2024 surgiu a expressão "Farmar Aura", com o significado de "ganhar carisma" ou "aumentar a reputação" por meio de atitudes estilosas ou marcantes. 2025 foi o ano em que o termo se popularizou entre jovens nos Estados Unidos, principalmente no TikTok, em vídeos de esportes e animes. No segundo semestre de 2025, a expressão começou a aparecer com frequência em vídeos brasileiros, até que, por volta de março a junho de 2026, "Farmar Aura" virou um fenômeno no Brasil, sendo usada em memes e comentários nas redes sociais. Surgiram até campeonatos presenciais inspirados no meme.
Dali em diante, tudo foi ladeira abaixo. "Péra", nem tudo. Será?
Eis que uma influenciadora brasileira, Giuliana Mafra, decidiu desenvolver um antídoto contra o 67, o tal Four Two (42). Até parece mais inteligente, pois é o resultado da multiplicação de 6 × 7. Porém, não deixa de ser mais um Brain Rot.
Ah!!! Já estava esquecendo do Brain Rot.
Brain Rot, ou "apodrecimento cerebral", é a exaustão mental causada pelo consumo excessivo de conteúdos digitais rápidos e superficiais (como Reels e TikTok). O que leva a um declínio cognitivo. Pura falta de noção da realidade, já que não gosto de usar o termo burrice (o animal não tem nada a ver com isso).
Especialistas alertam que a exposição exagerada a esses conteúdos digitais bombardeia o cérebro com dopamina, viciando o usuário em recompensas imediatas.
Tente observar estes sintomas:
* Dificuldade severa de concentração e foco;
* Cansaço mental e apatia;
* Perda de criatividade e pensamento crítico;
* Falta de interesse em atividades que não envolvam telas.
Alguém já viu esses sintomas em alguns alunos na escola? Ou mesmo no seu filho em casa?
Diga aí.
Será que é possível parar essa pandemia?
Talvez, desde que se consiga limitar o tempo de tela, buscando passatempos estimulantes, como:
* Pintar, bordar, tricotar...
* Ler algo prazeroso;
* Caminhar na natureza;
* Ouvir boa música (aos que desejarem, peçam dicas);
* Conversar com amigos;
* Meditar ou simplesmente contemplar uma paisagem.
Vale observar que o problema não é o "67", o "42" ou o próximo meme que possa aparecer por aí. Memes passam, mas deixam hábitos. Quando nossa atenção é levada pelos algoritmos, corremos o risco de perder aquilo que nos torna humanos: a capacidade de contemplar, refletir, criar e conversar profundamente.