
Os bastidores políticos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul prometem uma semana de intensas negociações. O líder do governo no Parlamento, deputado Frederico Antunes (PSD), abriu pontes de diálogo para articular e chancelar a ida do governador Eduardo Leite (PSD) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios. A meta do governista é definir uma data consensual para o comparecimento do chefe do Executivo, que já havia sinalizado formalmente sua disposição em depor ainda no mês de fevereiro.
A movimentação de Antunes ocorre em um cenário de forte pressão política. A CPI, instaurada para investigar possíveis irregularidades, aditivos contratuais e os modelos de concessões rodoviárias no Estado, tem seus postos de comando controlados estrategicamente por parlamentares da oposição ao Palácio Piratini. A presidência do colegiado está sob a responsabilidade do deputado Paparico Bacchi (PL), enquanto a relatoria final dos trabalhos é conduzida pelo deputado Miguel Rossetto (PT). O próprio Frederico Antunes, que era membro ativo da comissão, acabou perdendo sua cadeira recentemente após a recomposição partidária provocada pela janela de filiações.
O embate entre o Piratini e os integrantes da CPI ganhou contornos mais nítidos em abril, quando o então chefe da Casa Civil, Artur Lemos, encaminhou um ofício oficial ao parlamento reiterando o compromisso de Eduardo Leite em prestar esclarecimentos, impondo apenas a condição de que o dia e o horário fossem combinados previamente com a governança do Executivo. A mesa diretora da comissão chegou a submeter três datas ao Piratini, mas todas foram recusadas sob a justificativa de choque com compromissos oficiais e agendas de governo.
Com o tempo jogando contra, os deputados de oposição intensificaram o discurso público, acusando o governador de adotar uma postura evasiva para adiar o depoimento. A CPI dos Pedágios teve seu prazo de funcionamento prorrogado e conta agora com apenas mais 30 dias de prazo legal para encerrar as investigações, votar o relatório de Rossetto e encaminhar as conclusões aos órgãos de controle.
A oposição busca o depoimento de Leite para questionar o desenho técnico e tarifário dos contratos estruturados no programa de concessões de rodovias estaduais. O debate ganha urgência diante do cronograma de desestatização: o Bloco 2 de concessões, que engloba rodovias do Vale do Taquari, está com o leilão de concessão marcado para o dia 10 de junho na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.
Enquanto isso, as diretrizes do Bloco 1 (Regiões Metropolitana, Serra e Litoral Norte) permanecem em fase de revisão técnica, e as rodovias do Bloco 3 (Serra Gaúcha e Vale do Caí) seguem operando sob gestão da concessionária privada Caminhos da Serra Gaúcha (CSG).