
Uma reportagem publicada nesta quarta-feira (13) pelo Intercept Brasil e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo revelou diálogos e áudios do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), solicitando recursos financeiros a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O objetivo do repasse seria o pagamento de despesas do documentário "Dark Horse", que narra a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um dos áudios, Flávio afirma estar "sem graça de cobrar", mas ressalta que o projeto está em um "momento decisivo" e com parcelas em atraso.
As mensagens, datadas de novembro de 2025, foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. O timing das conversas é delicado: um dia após o último contato registrado, o banqueiro foi preso sob acusação de operações fraudulentas, e o Banco Master sofreu liquidação decretada pelo Banco Central logo em seguida. A colunista Rosane de Oliveira descreveu o episódio como uma "bomba na campanha" presidencial de Flávio, que tenta se consolidar como o herdeiro político do bolsonarismo em 2026.
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro, mas defendeu a legalidade do ato, classificando-o como uma busca por "patrocínio privado para um filme privado". O senador negou ter recebido vantagens indevidas ou oferecido contrapartidas públicas, ressaltando que conheceu o banqueiro quando não pesavam suspeitas sobre ele. Flávio aproveitou para contra-atacar, pedindo a instalação imediata da CPI do Banco Master para investigar as relações da instituição com o governo atual, alegando que sua conduta foi estritamente comercial.