Quarta, 29 de Abril de 2026
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Senado rejeita Jorge Messias e impõe derrota histórica ao governo

Placar de 42 a 34 encerra tabu de 132 anos sem rejeições ao STF; impasse entre Planalto e comando do Senado culminou no veto ao nome do AGU

Por: Jonathan Zanotto
29/04/2026 às 19h21
Senado rejeita Jorge Messias e impõe derrota histórica ao governo
Indicado de Lula ao Supremo, o advogado-geral da União Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Em uma decisão que altera os rumos do Judiciário e do cenário político nacional, o Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, 29 de abril, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Por 42 votos contrários a 34 favoráveis, o atual advogado-geral da União não alcançou o mínimo de 41 apoios necessários, marcando a primeira vez que a Casa Alta veta um nome para a Corte desde 1894, ainda no governo de Floriano Peixoto.

A rejeição expõe uma severa crise de articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso. A indicação de Messias, feita em novembro de 2025, enfrentou forte resistência, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga. O governo chegou a segurar o envio formal da indicação por cinco meses para tentar quebrar resistências, mas o movimento não foi suficiente para reverter o sentimento de oposição majoritário no plenário.

Os principais pontos da derrota do Planalto:

  • Quebra de Tradição: Em 132 anos, apenas cinco nomes haviam sido rejeitados pelo Senado. Messias torna-se o sexto caso na história republicana.

  • Sabatina de 8 Horas: Na CCJ, Messias havia sido aprovado por 16 a 11, onde tentou acenar à ala conservadora declarando-se contrário ao aborto e defendendo limites para decisões monocráticas do STF.

  • Impasse Político: A votação secreta permitiu que "traições" na base aliada ocorressem, frustrando o cálculo do governo que previa ao menos 45 votos favoráveis.

  • Inquérito das Fake News: Durante a sabatina, o indicado chegou a criticar a duração do inquérito (no STF desde 2019), afirmando que processos devem ter "começo, meio e fim", mas a fala não acalmou os ânimos da oposição.

Com este resultado, o presidente Lula sofre sua maior derrota legislativa no atual mandato e precisará realizar uma nova escolha para preencher a cadeira vaga na Corte. Este seria o último indicado do atual governo antes das eleições presidenciais, o que aumenta a pressão sobre o próximo nome a ser apresentado ao Senado.

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