
O Conselho Tutelar de Bento Gonçalves enfrenta uma crise de pessoal que pode comprometer o atendimento a crianças e adolescentes no município. A partir de maio, apenas dois conselheiros tutelares devem permanecer em atividade, depois do pedido de exoneração de duas conselheiras e do afastamento de outras duas por problemas de saúde.
Segundo o presidente do Comdica, Nadir Zeni, até o fim de abril o órgão ainda conta com três conselheiros em atuação. Uma profissional já deixou o cargo e outra encaminhou o pedido de saída, com desligamento previsto ainda para este mês. Com isso, o quadro ficará reduzido a dois nomes para atender toda a demanda da cidade.
De acordo com Zeni, a reposição dos postos tem encontrado dificuldade por falta de interessados. Entre os suplentes já existentes, nenhum aceitou assumir a função. Diante disso, o prazo de inscrições para a seleção de novos conselheiros foi prorrogado até 30 de abril.
Um dos pontos apontados para a baixa procura é a remuneração. Hoje, o salário informado para o cargo é de R$ 3.627,94, com jornada de 40 horas semanais. Para integrantes do sistema, o valor não acompanha o nível de responsabilidade e a carga de trabalho exigidos no dia a dia.
Conselheiros relatam sobrecarga de trabalho e dizem que a rotina de atendimentos extrapola o horário formal. Segundo um dos profissionais, os chamados ocorrem a qualquer hora do dia e da noite, o que dificulta a continuidade do serviço com a equipe reduzida. Eles também afirmam que o pagamento de horas extras é negado pela prefeitura, o que, na avaliação da categoria, desestimula a permanência no cargo.
A crise expõe um quadro de fragilidade em um setor considerado essencial da rede de proteção. Sem reforço imediato na equipe, o município pode enfrentar ainda mais dificuldade para responder a casos urgentes e manter a cobertura necessária dos atendimentos.