Quinta, 23 de Abril de 2026
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Bloqueio no Nugesp provoca superlotação e tensão em delegacias

Decisão judicial que restringe ingresso de presos por mandado gera acúmulo de detidos nas DPPAs; policiais relatam tentativas de suicídio e sobrecarga operacional

Redação
Por: Redação
23/04/2026 às 08h13 Atualizada em 23/04/2026 às 08h44
Bloqueio no Nugesp provoca superlotação e tensão em delegacias
A Ugeirm Sindicato também relatou episódios frequentes de autolesões e agressividade entre os custodiados devido ao ambiente insalubre. (Foto: Reprodução)

A suspensão do ingresso de presos por mandado no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre, desencadeou uma nova crise de superlotação nas delegacias da Polícia Civil. A medida judicial, que visa controlar a ocupação do núcleo, está represando detidos em unidades de pronto atendimento e comprometendo tanto a segurança quanto o trabalho investigativo. Até o momento, os dados apontam que pelo menos 62 presos estão distribuídos nas Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPAs) da Capital e da Região Metropolitana. O cenário é considerado crítico, com dez presos aguardando vagas na 2ª DPPA, enquanto na 3ª DPPA policiais precisaram intervir diretamente para impedir que um detido tirasse a própria vida.

As entidades representativas da Polícia Civil alertam para o desvio de função e o risco iminente de incidentes graves. O presidente da Associação dos Delegados (Asdep), Guilherme Wondracek, destaca que o baixo efetivo policial está sendo drenado para a custódia de presos, em vez de focar no atendimento ao público e no registro de ocorrências. A Ugeirm Sindicato também relatou episódios frequentes de autolesões e agressividade entre os custodiados devido ao ambiente insalubre das celas de delegacia, que não foram projetadas para permanência prolongada. No Palácio da Polícia, o clima de tensão é visível, com detidos realizando protestos e exigindo transferência imediata para o sistema penitenciário.

A gestão da crise envolve um impasse entre diferentes pastas do Governo do Estado. Enquanto a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que monitora a situação mas ressalta que a gestão das vagas prisionais é de competência da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), esta última afirma que cumpre a decisão judicial priorizando presos em flagrante. A pasta classifica a permanência em delegacias como um ajuste temporário e dinâmico do fluxo prisional. Como solução a longo prazo, o governo estadual aposta em investimentos para a ampliação do sistema, com a previsão de criar e requalificar mais de 12 mil vagas em todo o Rio Grande do Sul, embora a urgência para os policiais na ponta do serviço seja imediata para evitar que as delegacias se tornem depósitos permanentes de presos.

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