
Novas projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica e especialistas da Universidade Estadual de Nova York acenderam um alerta global: a formação de um "super El Niño" entre o final de 2026 e o início de 2027 é um risco real. Caso as previsões se confirmem, o fenômeno pode ser o mais forte registrado em quase um século e meio, elevando a temperatura das águas do Oceano Pacífico em mais de 2°C acima da média.
O impacto direto dessa alteração climática será a quebra de recordes de calor em diversas partes do mundo. O fenômeno libera calor acumulado do oceano para a atmosfera, o que pode tornar 2027 o ano mais quente da história. Além disso, a concentração de gases de efeito estufa impede que esse calor se dissipe totalmente, criando um ciclo de aquecimento cada vez mais difícil de reverter.
No Brasil, a principal preocupação volta-se para a Região Sul. A climatologista Karina Lima explica que o El Niño aumenta drasticamente as chances de chuvas torrenciais e enchentes, de forma semelhante ao cenário devastador enfrentado em 2024. No entanto, especialistas ressaltam que cada evento é único e a conjuntura climática atual, influenciada pelo aquecimento global, torna as previsões sobre a intensidade exata ainda mais complexas.
Ao redor do globo, os efeitos devem ser extremos e variados. Enquanto Peru e Equador podem sofrer com inundações, países da América Central, África, Austrália e Indonésia correm risco de secas severas. Na Índia, a redução das monções ameaça a produção agrícola, um padrão que deve se repetir em diversas regiões tropicais, onde o calor extremo e a falta de chuva podem causar perdas irreparáveis no campo e o aumento no preço dos alimentos.