
A gestão da arborização urbana em Bento Gonçalves tornou-se alvo de uma denúncia protocolada por Gilnei Rigotto, secretário-geral da Associação Ativista Ecológica (AAECO). Segundo o representante, a Prefeitura opera atualmente sem nenhum engenheiro florestal em seu quadro funcional, o que estaria resultando em podas realizadas fora de época e sem a supervisão técnica exigida por lei.
Em contrapartida, o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Volnei Tesser, afirma que a pasta possui profissionais capacitados e que as intervenções seguem critérios técnicos rigorosos previstos na legislação municipal.
Falta de especialistas e riscos ambientais
De acordo com Gilnei Rigotto, a situação é reflexo da aposentadoria dos engenheiros Flávio Romanha e Arthur Sandrin, cujas vagas não teriam sido repostas pela administração pública. Rigotto afirma ter enviado um ofício, no ano passado, alertando sobre a necessidade de novas contratações antes mesmo da saída dos profissionais, mas a solicitação não foi atendida.
Para o secretário-geral da AAECO, a substituição desses especialistas por biólogos, embora permitida pelo TCE, é insuficiente devido à alta demanda. "Tem duas biólogas só ali e elas fazem o licenciamento e mais serviço de campo. Não tem cabimento elas terem que fazer o trabalho de engenheiro florestal", desabafa Rigotto. Ele aponta ainda que as podas estão sendo executadas por funcionários sem o acompanhamento de um engenheiro no local, como determina a lei.
A presença de um engenheiro florestal no poder público é considerada fundamental para elaborar o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) e evitar "podas drásticas", que são classificadas como crime ambiental e podem levar a árvore à morte por reduzir sua capacidade de fotossíntese.

Resposta da secretaria
O secretário Volnei Tesser rebateu as acusações, assegurando que o município conta com engenheiro agrônomo e biólogos aptos para a emissão de laudos e pareceres. Sobre a época das intervenções, Tesser esclareceu que o serviço não se restringe a um período específico do ano. Conforme a Lei Municipal nº 2.298, a poda em logradouros públicos é permitida em situações de risco iminente, danos ao patrimônio, estado fitossanitário comprometido ou quando indispensável para obras públicas.
Tesser destacou ainda a existência da Comissão Municipal de Arborização Urbana, que integra representantes de diversos órgãos, como IPURB, SMVOP, RGE e UACB, para deliberar sobre as intervenções necessárias.
"Árvores urbanas não necessitam de podas anuais. A poda frequente e sem necessidade pode enfraquecer a árvore e aumentar o risco de queda", reforçou o secretário.

Manejo Urbano
O debate ressalta a importância do rigor técnico na manutenção do ecossistema urbano. Enquanto a AAECO alerta para os perigos de cortes feitos incorretamente, que abrem portas para pragas e fungos, a Secretaria mantém que as ações ocorrem sob justificativa técnica de segurança e infraestrutura.
O impasse permanece sobre a necessidade de contratação específica de engenheiros florestais para acompanhar as equipes de campo, garantindo que o manejo da arborização traga benefícios à comunidade sem comprometer a longevidade das árvores da cidade.