Quinta, 09 de Abril de 2026
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Empresa de Bento entra na “lista suja” do Ministério do Trabalho

Ministério incluiu empresa que mantinha 18 indígenas em condições degradantes em 2025.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
09/04/2026 às 08h08
Empresa de Bento entra na “lista suja” do Ministério do Trabalho
Caso ocorreu em fevereiro de 2025

O município de Bento Gonçalves voltou a figurar na temida "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cadastro nacional que reúne o nome de empregadores flagrados submetendo pessoas a trabalho análogo à escravidão. A nova atualização do documento incluiu a empresa Mateus Da Silva Amaral Ltda, prestadora de serviços responsável pelo agenciamento de mão de obra para as safras da uva, pêssego e maçã. Além da Capital do Vinho, a lista aponta registros em outras cidades gaúchas, como Caxias do Sul, Vacaria, Porto Alegre, Pelotas e Gravataí, totalizando 31 ocorrências ativas em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

A inclusão da empresa no cadastro penaliza um caso descoberto em fevereiro de 2025. Na ocasião, uma operação de resgate encontrou 18 trabalhadores indígenas da etnia Kaingang, oriundos da reserva de Benjamin Constant do Sul, vivendo em condições degradantes. O grupo, composto por 12 homens e seis mulheres com idades entre 17 e 67 anos — além de um bebê e uma criança de cinco anos —, havia sido recrutado com a promessa de carteira assinada, alojamento, alimentação e diárias de R$ 150. No entanto, eles foram abandonados em um galpão de madeira sem piso e sem cobertura adequada, dormindo em colchões atirados no chão atrás de um bar e dentro de canchas de bocha, além de não receberem pelos dias em que não havia demanda de colheita na safra da uva.

O flagrante ocorreu no dia 5 de fevereiro do ano passado, quando dez trabalhadores, despejados do alojamento sem o pagamento devido, procuraram acolhimento na Assistência Social do município. A Fiscalização do Trabalho foi acionada e resgatou os demais indígenas no mesmo dia, enquanto a prefeitura interditou o local. Segundo o MTE, a entrada no cadastro ocorre somente após a conclusão do processo administrativo, com ampla garantia de defesa aos acusados. O nome do infrator permanece na lista por dois anos. Para as autoridades, o enquadramento criminal se dá pela submissão a jornadas exaustivas, moradia indigna e retenção de pagamentos, práticas que ferem gravemente os direitos humanos.

Confira a lista de empregadores:

  1. Dirleu De Araujo (Caxias do Sul) - 3 trabalhadores resgatados
  2. Hortifrutigranjeiros Vacaria Ltda (Vacaria) -  3 trabalhadores resgatados
  3. Lucia Regina Dias Dell Aglio (Porto Alegre) - 1 trabalhador resgatado
  4. Makay Industria De Cosméticos Ltda (Gravataí) - 2 trabalhadores resgatados
  5. Marcus Rogerio Silva De Souza (Sapucaia do Sul) - 11 trabalhadores resgatados 
  6. Mateus Da Silva Amaral Ltda (Bento Gonçalves) - 18 trabalhadores resgatados
  7. Restaurantes Argentinos Ltda (Porto Alegre) - 10 trabalhadores resgatados
  8. Rosena Da Silva Dutra (Eldorado do Sul) - 1 trabalhador resgatado
  9. Wladimir Azevedo Requiao (Pelotas) - 1 trabalhador resgatado
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