
O futebol perdeu nesta quinta-feira, 4 de junho, um dos nomes marcantes da geração brasileira dos anos 1970. João Leiva Campos Filho, o Leivinha, morreu aos 76 anos, conforme confirmou o Palmeiras, clube pelo qual se tornou ídolo. Ele faleceu por consequências de um Alzheimer.
Meia-atacante habilidoso, forte no jogo aéreo e com presença constante na área, Leivinha foi um dos símbolos da chamada Segunda Academia do Palmeiras, equipe que encantou o país na primeira metade da década de 1970. O próprio clube o trata como um dos grandes nomes de sua história.
Pelo Palmeiras, Leivinha está entre os 15 maiores artilheiros da história do clube e também entre os cinco jogadores que mais marcaram gols pelo Verdão em Campeonatos Brasileiros.
Nascido em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, em 11 de setembro de 1949, Leivinha iniciou a carreira no Linense e depois passou pela Portuguesa, onde chamou atenção pela técnica e pela capacidade de decisão.
A chegada ao Palmeiras consolidou sua trajetória. No clube, fez parte de uma geração que unia talento, velocidade e leitura de jogo. Ao lado de outros grandes nomes, ajudou a formar uma das equipes mais lembradas da história alviverde.
Um dos lances mais lembrados da carreira ocorreu na final do Campeonato Paulista de 1971, contra o São Paulo. Leivinha marcou um gol de cabeça, mas o árbitro Armando Marques anulou o lance ao entender que o jogador havia usado a mão. O episódio entrou para a memória dos palmeirenses.
Na Seleção Brasileira, Leivinha disputou a Copa do Mundo de 1974. Ele também ficou marcado por ter anotado o milésimo gol da história da Seleção, em partida contra a Bolívia, no Maracanã.
Em 1975, o meia-atacante seguiu para o Atlético de Madrid, onde também deixou forte lembrança. Segundo o jornal espanhol AS, Leivinha chegou ao clube ao lado de Luiz Pereira, disputou 93 partidas, marcou 43 gols e conquistou a Liga de 1977.
Na Espanha, ficou conhecido pela habilidade, pelos dribles e pelas chamadas “bicicletas”, recurso técnico que marcou sua passagem pelo futebol espanhol. Mesmo com lesões que limitaram sua sequência, virou nome querido pela torcida rojiblanca.
Leivinha encerrou a carreira ainda jovem, aos 29 anos, depois de retornar ao Brasil e defender o São Paulo. Lesões no joelho abreviaram a trajetória de um jogador que atravessou fronteiras e deixou marca em dois grandes clubes de países diferentes.
A morte de Leivinha mobilizou torcedores do Palmeiras, do Atlético de Madrid e admiradores do futebol brasileiro. Para quem viu a Segunda Academia jogar, ele permanece ligado a uma época em que técnica, coragem e criatividade se misturavam em campo.