
O persistente impasse burocrático que colocava em risco a integridade física dos alunos do Colégio Estadual Dona Isabel, localizado na rua Padre Raul Accorsi, no bairro Universitário em Bento Gonçalves, finalmente chegou ao fim. Diante do cenário de abandono, lama e insegurança, o pai de aluno e conselheiro escolar Cláudio Oscar Ferretti veio a público cobrar uma solução imediata das autoridades. A resposta definitiva não veio do Estado ou do Município, mas sim da Fundação Educacional da Região dos Vinhedos (Fervi), que assumiu a responsabilidade e iniciou as obras de pavimentação da calçada na semana passada.
A mobilização começou com a iniciativa cidadã de Cláudio Oscar Ferretti. Cansado de ver crianças e adolescentes se arriscarem diariamente no trajeto escolar, o conselheiro formalizou um pedido de providências junto à Prefeitura e ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPURB).
Ferretti relatou que, em um trecho de aproximadamente 100 metros na chegada à escola, inexistia passeio público. Em dias de chuva, o local virava um lamaçal intransitável, forçando os pedestres a caminharem no meio da rua, disputando espaço com carros e vans escolares.
"No lado direito, existe um trecho de aproximadamente 100 metros ou mais onde não há calçada adequada (...), existindo apenas mato, barro e lama. Além da precariedade estrutural, há grande preocupação com a segurança dos estudantes", alertou o pai, apontando ainda o risco gerado pela falta de iluminação e o uso de substâncias ilícitas no matagal do lado oposto da via.
Por muito tempo, o pedido da comunidade escolar ficou travado em um clássico "jogo de empurra": a prefeitura alegava que a proprietária da área era a Fervi; a fundação explicava que o local estava cedido ao Estado; e o Piratini, por sua vez, não executava a melhoria na escola sob sua gestão.
Procurado pela reportagem do NB Notícias, o executivo da Fervi, Daniel Amadio, detalhou a complexidade jurídica que travava a obra. O terreno é de propriedade da fundação, mas o acesso serve a uma instituição de ensino da rede estadual.
"Existe ali um entendimento de até que ponto é uma via pública e até que ponto é uma via privada, pois ela está em cima de um terreno da Fervi. Porém, a escola que dá acesso é uma escola estadual, ou seja, daí seria responsabilidade do Estado. Então é uma situação que nós estávamos tentando resolver", explicou Amadio.
Apesar do conflito de competências, a fundação entendeu que o bem-estar e a segurança dos estudantes de Bento Gonçalves precisavam estar acima de qualquer discussão de bastidor.
Dando um verdadeiro exemplo de responsabilidade social e sensibilidade comunitária, a Fervi optou por agir em vez de esperar pelo Estado. Através de seu conselho e de sua presidência, a instituição decidiu "adotar" a obra por conta própria.
"A Fervi decidiu em seu conselho, a sua presidência, de que irá adotar essa obra, irá executar essa obra, então logo, logo nós teremos já a calçada feita, dando mais tranquilidade para os usuários da escola Dona Isabel", garantiu Daniel Amadio.
As máquinas começaram a trabalhar na última quarta-feira (10). Com essa postura proativa, a Fervi resolveu um problema histórico antes mesmo de se chegar a um veredito jurídico sobre de quem era a obrigação legal pela via. Para os pais e alunos do Colégio Dona Isabel, o fim do barro e do perigo já é uma realidade em construção.