
A Polícia Civil de Nova Prata prendeu, preventivamente, no fim da tarde desta terça-feira (19 de maio) um jovem, de 21 anos, apontado como o único suspeito de assassinar a facadas o próprio avô, João Juarez Vieira, de 63 anos. O crime chocou a comunidade do bairro São João Bosco, onde a vítima residia.
O corpo de idoso foi localizado já em avançado estado de decomposição sobre uma cama na noite do último domingo (17). Conforme os peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP), o cadáver ostentava diversas marcas profundas provocadas por golpes de arma branca (faca).
O neto chegou a ser localizado e detido temporariamente por uma guarnição da Brigada Militar ainda na segunda-feira (18). No entanto, de acordo com as autoridades, a prisão em flagrante não pôde ser lavrada naquele instante por falta de elementos técnicos robustos e devido ao estado de saúde do jovem, que apresentava comportamento altamente instável e desorientado, precisando ser internado sob custódia no hospital municipal.
A delegada responsável pela investigação, Liliane Pasternak Kramm, revelou detalhes intrigantes sobre o comportamento do suspeito, sustentando a tese de que o homicídio foi desencadeado por uma severa crise de saúde mental:
"Temos a forte impressão, com base nas testemunhas que ouvimos, que ele entrou em um surto psicótico severo. O jovem amava profundamente o avô, a quem chamava rotineiramente de 'pai'. O que reforça essa hipótese é o fato de ele ter permanecido dentro da residência após as facadas, mantendo suas atividades normais diárias, sem esboçar qualquer tentativa de ocultar o cadáver ou de fugir da cidade", explicou a delegada.
A comoção popular quase terminou em uma segunda tragédia em Nova Prata. Logo após o encerramento do ato fúnebre do idoso, o suspeito se expôs publicamente na comunidade. Ao ser reconhecido por moradores revoltados, o rapaz foi cercado e por pouco não foi linchado em via pública — uma intervenção rápida de viaturas da Brigada Militar dispersou os populares e garantiu a integridade física do jovem.
Com o avanço dos depoimentos de familiares e a análise detalhada de imagens de câmeras de segurança do entorno, a delegada Liliane representou pelo mandado de prisão preventiva, que foi deferido imediatamente pelo Poder Judiciário. O jovem recebeu alta médica, foi indiciado formalmente por homicídio qualificado e acabou transferido para as celas do Presídio Estadual de Nova Prata, onde permanecerá isolado à disposição da Justiça. O inquérito deverá avaliar, por meio de juntas médicas, a sanidade mental do réu.