
O governo do Estado promoveu, na quinta-feira (7/5), em Eldorado do Sul, a “1ª Oficina: lideranças rurais e o que fazer nos desastres”, fruto do projeto “Uma só saúde na agropecuária: diagnóstico e resiliência a desastres no contexto das mudanças climáticas no Estado do Rio Grande do Sul”. O evento ocorreu no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).
Produtores e lideranças rurais do Rio Grande do Sul aprenderam sobre prevenção, adaptação e mitigação dos impactos de desastres causados por eventos meteorológicos extremos no primeiro de três encontros previstos no projeto.
A iniciativa é coordenada pelo DDPA/Seapi e tem a colaboração de instituições de pesquisa, saúde pública, universidades e extensão rural, entre elas a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul e Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Emater/RS-Ascar). A próxima oficina ocorrerá em 14 de maio, às 14h, na Câmara de Vereadores de Agudo.
Resiliência climática em áreas rurais
O coordenador do projeto, pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck, disse que a oficina tem um significado especial. “Poder ofertar esse serviço para a comunidade atingida pela enchente de 2024 é muito importante. Porque o nosso Instituto também foi gravemente atingido, nossos funcionários tiveram as vidas afetadas. A gente viveu essa situação juntos”, contou.
Reck lembrou que, logo depois da enchente, os servidores do IPVDF começaram a se reorganizar e tentar fazer algumas atividades em parceria com a comunidade atingida. “Então, surgiu uma oportunidade, a partir de um apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), de fazer um projeto que envolvesse a questão de resiliência climática, as áreas atingidas e propostas para poder dar uma resposta a esses acontecimentos”, explicou o pesquisador.
Reck destacou que o projeto envolve uma série de ações, como visitas a propriedades rurais e comunidades atingidas. “Foram feitas entrevistas, coletas de amostra, diagnóstico da situação da saúde dos animais afetados pela enchente, dos animais sobreviventes e dos que perderam os animais”, esclareceu. “Estamos fazendo um grande diagnóstico de situação. Além disso, várias análises de solo, para que as práticas rurais tornem as propriedades mais resilientes.”
O pesquisador contou que a equipe teve contato com estratégias de outros lugares do mundo em relação a tragédias climáticas. “Cidades afetadas fazem oficinas com especialistas na área de reconstrução e resiliência para falar com as comunidades, mas isso nunca era focado no público rural”, relembrou Reck. “Então a gente propôs esse desafio de tentar construir uma oficina de reconstrução, mas que tivesse um olhar para o público rural, destinada a produtores afetados, líderes comunitários, representantes das agências de extensão, das defesas civis que estão dentro de áreas rurais.”
A ideia, de acordo com Reck, é, depois das oficinas, elaborar um material para servir de referência também para outras comunidades. “Para que outras agências e instituições possam replicar esse conhecimento em um futuro breve.”
Necessidade de entender e enfrentar impactos de eventos extremos
A coordenadora-adjunta do projeto e bióloga do IPVDF, Ludmila Baethgen, afirmou que ele surgiu a partir da necessidade de entender e enfrentar os impactos que os eventos meteorológicos extremos têm causado no Rio Grande do Sul, especialmente depois das enchentes de 2024. “A proposta reúne pesquisadores, universidades, órgãos públicos e instituições parceiras para atuar de forma integrada, pensando na saúde das pessoas, dos animais, do meio ambiente e da produção agropecuária”, pontuou.

Ludmila destacou que uma das frentes do projeto é a educação e a preparação das comunidades rurais para situações de desastres. “Essa oficina faz parte desse trabalho. A ideia é construirmos esse conhecimento junto com os produtores e lideranças rurais, compartilhando experiências e discutindo formas de prevenção, preparação e resposta frente a eventos extremos que infelizmente têm se tornado cada vez mais frequentes.”
Preparação voltada para a agricultura familiar
A agricultora Márcia Amaral, de Triunfo, perdeu toda a colheita de três hectares de milho na enchente de 2024. "Foi um prejuízo de R$ 13 mil. E ficamos isolados, só dava para sair da propriedade de barco", relembrou com tristeza. Ela trabalha com o marido e o filho na propriedade de sete hectares. Além de plantar milho na Ilha da Paciência, que fica a meio quilômetro de sua propriedade, ela produz queijo colonial artesanal. "Foi bem complicado na enchente de 2024. A casa não foi diretamente atingida, mas ficamos ilhados. E a plantação de milho foi toda perdida, não sobrou nada", lamentou.
"As experiências que vivemos nos mostram que tudo é possível se estivermos preparados para cada ocasião. Aprendi que, se cada um fizer sua parte, juntos somos mais fortes. Muitos não têm consciência de um planejamento que funciona nos casos de desastre. Espero que no próximo encontro possamos continuar aprendendo cada vez mais e que possamos cuidar do nosso bem maior, que é a vida”, disse Márcia.
Sobre a oficina
A “1ª Oficina: lideranças rurais e o que fazer nos desastres” teve a finalidade de reconhecer os riscos que afetam a agricultura familiar e construir um plano comunitário de preparação e resposta a desastres. Foi ministrada pelo CEO e fundador da Hopeful, Abner Quintino de Freitas.
“Hoje, a teoria e a prática se referem à construção de planos de contingências para famílias rurais”, comentou. Freitas salientou a importância de identificar as ameaças que tornam uma comunidade vulnerável. Após essa etapa, roteirizar as necessidades para a situação. "O plano de contingência é o roteiro sobre como agir numa ocorrência de desastres. São três encontros até a gente construir esse plano para o setor rural. Depois, cada participante poderá replicar isso em sua comunidade", explicou.
A empresa Hopeful é uma startup membro do Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Desde 2017, atua na capacitação de indivíduos e instituições para que saibam como agir antes, durante e após desastres.
Texto: Darlene Silveira/Ascom Seapi
Edição: Secom