
A morte de três irmãos em um incêndio residencial em Serrinha, na Bahia, ganhou novos contornos após vir à tona que a família já havia sido acompanhada pela rede de proteção de Bento Gonçalves. As vítimas foram Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos, Samuel Nascimento de Almeida, de 4, e Ismael Nascimento de Jesus Borges, de 11 meses.
Segundo as informações apuradas, a família recebia atendimento do Conselho Tutelar e da assistência social do município gaúcho. Diante da situação considerada de risco, houve determinação para o acolhimento institucional das crianças enquanto o caso era monitorado.
Esse acompanhamento, porém, foi interrompido no início deste ano, quando a mãe, Cristina de Jesus, deixou Bento Gonçalves com os filhos e se mudou para a Bahia. Com a saída da família, a rede local perdeu a continuidade da atuação direta no caso.
De acordo com a investigação conduzida pela polícia baiana, as crianças foram deixadas na noite de sábado sob os cuidados de uma irmã de 7 anos. Na manhã seguinte, enquanto a mãe estava em uma festa, os menores teriam brincado com um isqueiro sobre um colchão, o que provocou o incêndio.
A menina de 7 anos foi a única sobrevivente. Segundo o relato inicial, ela ainda tentou socorrer os irmãos, mas não conseguiu retirá-los das chamas. Vizinhos ouviram os pedidos de ajuda e conseguiram resgatar a criança, que foi atendida com ferimentos leves.
Ainda conforme a apuração, a mãe retornou à residência por volta das 8h, sob efeito de álcool. Imagens reunidas pelas autoridades ajudaram a embasar a prisão em flagrante, sob suspeita de negligência com resultado em morte.
O pai das crianças, Joselito Borges, ainda mora em Bento Gonçalves e, segundo as informações divulgadas, pretendia buscar os filhos em junho para garantir mais segurança a eles. Ao ser informado da tragédia, ele voltou para a Bahia e precisou de atendimento hospitalar por causa do abalo emocional.
O caso teve repercussão nacional e reacendeu o debate sobre os limites da atuação da rede de proteção quando famílias em situação de vulnerabilidade mudam de cidade ou de Estado. A investigação segue em andamento.