
A ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia promete redesenhar as prateleiras dos supermercados brasileiros. O tratado, que visa criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, foca na redução drástica de impostos para produtos de alto valor agregado. Itens como vinhos, queijos finos e chocolates, que hoje carregam pesadas taxas de importação, devem ter seus preços reduzidos para o consumidor final à medida que as alíquotas forem zeradas.
Para o setor vitivinícola, a mudança é profunda. Atualmente, os vinhos europeus enfrentam tarifas que podem chegar a 27%. Com o acordo, haverá uma divisão: vinhos de maior valor (acima de um patamar de preço estabelecido) terão isenção imediata, enquanto os vinhos de mesa e espumantes seguirão um cronograma de desoneração gradual ao longo de vários anos. A medida deve atingir em cheio o setor vitivinícola brasileiro.
A abertura de mercado não atingirá todos os produtos da mesma forma ou no mesmo tempo:
Vinhos e Espumantes: O cronograma de abertura protege, em parte, a indústria nacional, permitindo que as vinícolas brasileiras se adaptem à concorrência europeia em um prazo de até 15 anos para os itens mais populares.
Queijos e Laticínios: O Brasil abrirá cotas de importação com tarifa zero para queijos europeus renomados, como o Grana Padano, o Roquefort e o Parmigiano-Reggiano, facilitando o acesso a esses itens gourmet.
Chocolates e Confeitos: A indústria europeia de chocolates, conhecida mundialmente pela qualidade suíça, belga e alemã, terá suas taxas reduzidas de forma mais acelerada, barateando marcas que hoje são consideradas de luxo no Brasil.
Se por um lado o consumidor comemora a queda nos preços, por outro, os produtores locais — especialmente os da Serra Gaúcha — expressam preocupação. O setor produtivo brasileiro teme a competição com subsídios agrícolas europeus e demanda medidas de compensação e modernização para manter a competitividade frente aos rótulos franceses, italianos e espanhóis que ganharão força no mercado interno.