
O governo brasileiro determinou a expulsão de Michael William Myers, agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que atuava em Brasília desde setembro de 2024. A decisão, confirmada nesta sexta-feira (24), é uma resposta direta à expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território americano, determinada pela administração de Donald Trump.
O imbróglio diplomático escalou após o Departamento de Estado dos EUA anunciar a saída de Ivo por meio das redes sociais, acusando-o de manipular o sistema de imigração do país. O delegado brasileiro estava em processo de substituição pela delegada Tatiana Alves Torres quando recebeu a ordem de saída forçada. A reação do Brasil foi articulada na Alemanha pelo presidente Lula, o chanceler Mauro Vieira e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A condução do caso gerou divergências internas no governo. Enquanto o Itamaraty defendeu que a resposta deveria seguir o princípio da reciprocidade estrita, a Polícia Federal adotou medidas imediatas:
Expulsão Definitiva: Michael William Myers teve suas atividades encerradas e precisou deixar o país.
Suspensão Temporária: As credenciais de acesso de um segundo agente americano (não identificado) à sede da PF foram suspensas por ordem de Andrei Rodrigues.
Normalização Parcial: Após a expulsão de Myers, a PF decidiu restituir as credenciais do segundo agente na tentativa de conter uma escalada ainda maior na crise.
O diretor-geral da PF justificou as ações como uma medida de cautela até que o Ministério das Relações Exteriores definisse os rumos da política externa. Atualmente, o clima entre os dois países é de apreensão diplomática, com o Brasil buscando equilibrar a soberania nacional e a manutenção de acordos de cooperação em segurança que podem ser afetados pelo incidente.