
A Serra Gaúcha passará a contar, a partir desta terça-feira (31), com a primeira clínica exclusiva para o tratamento de lipedema na região. O espaço, a Liv Lipedema, será inaugurado em Bento Gonçalves, na Travessa Três de Outubro, no bairro Cidade Alta, com a proposta de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao cuidado especializado. Interessadas em realizar avaliação ou obter mais informações podem entrar em contato pelo fone/WhatsApp (54) 3500-0584.
O lipedema é uma doença crônica, de origem hormonal e genética, que provoca o acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Diferente da obesidade, essa gordura é inflamada e dolorosa, podendo causar inchaço, sensação de peso e hematomas frequentes. Estimativas indicam que cerca de 12,3% das mulheres convivem com a condição.
A doença é classificada em diferentes graus e estágios, que variam conforme a evolução dos sintomas e das alterações no tecido adiposo. Nos estágios iniciais, a pele pode apresentar aparência mais lisa, mas já há aumento de volume e sensibilidade. Com a progressão, surgem irregularidades, nódulos palpáveis e maior rigidez, além de dor mais intensa e limitação de mobilidade. Em fases mais avançadas, o impacto pode comprometer atividades do dia a dia.
Apesar de reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o lipedema ainda é pouco compreendido. Muitas mulheres passam anos tentando emagrecer sem sucesso nas áreas afetadas, mesmo com dieta e prática de exercícios, o que contribui para frustração e atraso no diagnóstico.
A clínica foi idealizada pela fisioterapeuta Andressa Bresolin, que também convive com a doença. Segundo ela, a experiência pessoal foi determinante para a criação do espaço. “Desde os meus 17, 18 anos, minhas pernas começaram a me incomodar. Eu sabia que havia algo de errado, mas não entendia o que era”, relata.
Ela conta que, mesmo mantendo hábitos saudáveis, percebia diferenças no próprio corpo. “Eu sempre fui ativa, cuidava da alimentação, mas tinha pernas incompatíveis com o meu estilo de vida. Era difícil comprar roupas e eu evitava situações simples, como ir à piscina, por vergonha”, afirma.
Ao longo dos anos, buscou diferentes profissionais e alternativas. “Passei por médicos, fiz dietas e tratamentos estéticos que não funcionavam. Muitas vezes, a situação piorava. Além da questão estética, eu sentia dor, peso nas pernas e tinha hematomas frequentes”, diz.
O diagnóstico veio após uma busca pessoal. “Pesquisei na internet e encontrei o termo lipedema. Foi o primeiro contato com a doença”, conta. Na época, segundo ela, ainda não havia opções de tratamento acessíveis.
Durante o período de estudos na Europa, entre 2017 e 2019, Andressa teve contato com avanços na área. Ao retornar ao Brasil, passou a se especializar no tema. “Comecei a estudar, fazer cursos e aplicar em mim as possibilidades de tratamento. Isso fez diferença na minha saúde e despertou o desejo de ajudar outras mulheres”, afirma.
Com cerca de duas décadas de atuação na fisioterapia, a profissional é mestre em Exercício e Saúde pela Universidade de Évora, em Portugal, e atua como investigadora colaboradora junto à Universidad de Sevilla, na Espanha. A trajetória profissional, aliada à vivência com a doença, motivou a criação da clínica.
A proposta da Liv Lipedema é oferecer atendimento multidisciplinar, com base em evidências científicas e combinação de terapias, visando a evolução clínica e a adesão das pacientes ao tratamento. “Muitas mulheres chegam após anos de frustração, com dores físicas e emocionais. Nosso objetivo é oferecer acompanhamento contínuo e um cuidado mais completo”, destaca.
Além dos atendimentos, a clínica disponibiliza um teste de triagem gratuito, disponível no site www.livlipedema.com.br, que auxilia na identificação inicial dos sinais da doença e no encaminhamento para avaliação profissional. Informações também podem ser acessadas pelo Instagram @livlipedema.
A expectativa é atender pacientes de toda a região, ampliando o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além de levar mais informação e acolhimento a mulheres que convivem com a doença e seus impactos no dia a dia.