
O número de diagnósticos de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram está apresentando um crescimento preocupante no Rio Grande do Sul. Dados recentes da área da saúde apontam que a doença já desponta como a principal causa de morte por tumores no estado, com a estatística alarmante de que um em cada 12 mil gaúchos recebeu o diagnóstico apenas no ano passado.
A assistente social Camila Alves Espinosa reflete perfeitamente esse novo perfil clínico. Sem qualquer histórico de tabagismo ou predisposição genética familiar, ela descobriu a doença há cerca de um ano e meio, após decidir investigar sintomas atípicos como fadiga extrema e perda de peso inexplicável. Sem conseguir acesso imediato ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Camila precisou recorrer a uma vaquinha online e à via judicial para garantir a medicação necessária para a sua sobrevivência.
O tipo de tumor enfrentado pela assistente social é o adenocarcinoma, a variante mais comum em pacientes não fumantes, que costuma se desenvolver de forma silenciosa nas áreas mais profundas dos pulmões. Em contrapartida, o carcinoma de células escamosas continua sendo o mais associado ao vício em cigarro. Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam um dado de alerta para a saúde pública: mais da metade dos casos em pessoas que não fumam possui ligação direta com a poluição do ar.
A pneumologista Manuela Cavalcanti, da Santa Casa de Porto Alegre, alerta que a doença não costuma apresentar sinais claros em sua fase inicial, o que dificulta o diagnóstico precoce. Atualmente, apenas 15% dos quadros são identificados no começo, fase em que as chances de cura são significativamente maiores. A especialista reforça que sintomas como tosse persistente, falta de ar e dores no peito devem ser rapidamente investigados por um médico para ampliar a eficácia e o sucesso dos novos avanços no tratamento oncológico.