
Muitas pessoas me perguntam: o que realmente muda no cenário político de Bento Gonçalves com a chegada de Diogo Siqueira ao PL para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados? A resposta é simples e direta: tudo, minha gente, tudo.
A verdade nua e crua é que o PL virá, oficialmente, a ser mais uma filial do Progressistas (PP), assumindo exatamente o mesmo papel estratégico que já vinha sendo desempenhado pelo PSDB, antiga sigla de Diogo.
A ida do vereador Anderson Zanella para o PL ainda está sendo debatida nos bastidores. Inicialmente, a estratégia era que o político migrasse para a legenda, assumisse a presidência e ditasse as regras do jogo internamente. Falei com Zanella nesta semana, e ele me garantiu que não há nada cravado até o momento. Essa decisão de martelo batido ficará para abril.
Porém, a política é feita de alternativas, e um "plano B" já está sendo analisado com carinho: entregar a presidência do partido ao ex-prefeito (e cara muito gente boa) Aido Bertuol. A leitura de bastidor é que Aido tem um perfil mais conciliador, capaz de acalmar os ânimos internos da sigla e evitar ruídos que possam prejudicar a campanha de Diogo Siqueira a deputado federal.
O que já é líquido e certo no tabuleiro político da Serra Gaúcha é que o PL se torna, a partir de abril, mais uma base administrada pelo PP. Tudo isso sob a batuta atenta do triunvirato político formado pelo deputado Guilherme Pasin, seu fiel escudeiro, o advogado Sidgrei Spassini, e o cerebral e visionário Carlos Perizzolo — um homem que, há mais de 50 anos, enxerga a política de Bento Gonçalves léguas à frente de quase todo mundo.
Eles estão com o tabuleiro nas mãos. A cada ano que passa, vão encurralando um pouco mais os que insistem em ser seus opositores. Caso consigam emplacar a reeleição de Pasin e a eleição de Diogo, o grupo governista se torna quase imbatível nas urnas.
Conversando com algumas figuras do partido, notei que Evandro Speranza foi o primeiro a pular da barca, entregando sua carta de desfiliação apenas um dia após o anúncio da chegada de Diogo. Outros filiados, no calor da emoção, também ameaçaram se retirar.
Aos mais ansiosos, deixo um conselho: talvez, neste momento, seja melhor esperar. A saída em massa do PL agora não representa um grande abalo sísmico e dificilmente irá atrapalhar a candidatura de Diogo Siqueira. Mas quem sabe esperar até as eleições de outubro, para ver como a máquina realmente vai rodar, não seria uma atitude mais prudente?
Por onde ando, a pergunta é recorrente: cadê a oposição em Bento Gonçalves? É difícil dizer.
Temos o MDB, que tenta se sustentar no discurso como um opositor ferrenho, mas que, vez por outra, tira o pé do acelerador e abranda essa posição. Há também o Republicanos, que considero o nome mais forte hoje para montar uma base sólida pensando nas eleições municipais de 2028. Isso, claro — e sempre tem um "mas" na política —, se o partido não for procurado pelo Progressistas para "fazer as pazes" e retornar ao campo do governo.
Sobram ainda o PDT e o PSD. O PDT podemos chamar de "Sabor Oposição", pois é uma verdadeira incógnita defini-lo de forma diferente atualmente. Já o PSD, agora com Camerini na presidência, poderia ser uma válvula de escape em uma construção futura para criar um partido realmente disposto a encarar a duríssima missão de tirar o Progressistas do poder.
Vale lembrar que isso aconteceu apenas uma vez na história recente do município, com Roberto Lunelli (PT). E, pelo menos por enquanto, segue valendo a velha escrita de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.