Terça, 24 de Março de 2026
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Apagão em Bento: mulher fica 40 minutos presa dentro de elevador

Problema em subestação da RGE deixou vários bairros em luz e moradora registrou momentos de angústia dentro do equipamento.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
24/03/2026 às 12h10 Atualizada em 24/03/2026 às 13h06
Apagão em Bento: mulher fica 40 minutos presa dentro de elevador

Um apagão atingiu Bento Gonçalves na noite do último domingo (22), provocado pela explosão de um transformador na subestação da RGE, localizada no bairro Licorsul. A ocorrência, registrada por volta das 20h, interrompeu o fornecimento de energia em diversos pontos da cidade, afetando moradores de bairros como São Francisco, Borgo, Humaitá e São Roque. Além dos transtornos domésticos causados pela falta de luz, o episódio gerou situações de risco. Para a motorista particular Lise Freisleben, o apagão resultou em uma experiência de 40 minutos de confinamento e isolamento total.

Moradora do sexto andar de um edifício no bairro Humaitá, Lise estava saindo para trabalhar no momento exato da queda de energia. Com corridas já agendadas, ela utilizava o elevador para descer até o segundo andar, onde buscaria seu veículo. "Simplesmente apagou e fiquei lá. Sem reação nenhuma", relata a motorista, que ficou presa entre os andares no instante da explosão na subestação.

 
 
 
 
 
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Embora tenha recebido atendimento da zeladoria pelo botão de emergência física do elevador, as condições dentro da cabine agravaram a situação. Após cerca de 20 minutos de espera, o calor intenso começou a causar sintomas físicos. "Comecei a suar porque estava muito calor. Tive alguma vertigem ali porque estava muito quente", relembra Lise, que precisou sentar no chão da cabine para evitar um mal-estar mais grave.

O "apagão" da comunicação digital

O momento mais crítico relatado pela moradora, no entanto, foi a impossibilidade de contato com o mundo exterior. Dentro da estrutura metálica do elevador — que atua como uma "gaiola de Faraday", bloqueando ondas eletromagnéticas —, a motorista se viu em um ponto cego de sinal de celular.

"O medo principal foi eu não conseguir me comunicar com ninguém via WhatsApp, mensagem, telefone, zero", destaca.

A motorista tentou diversas alternativas digitais sem sucesso: envio de SMS, ligações convencionais e acesso a redes sociais como Instagram e WhatsApp. "Queria pedir ajuda, avisar para buscarem as pessoas que estavam me esperando... nada. Não consegui nenhum contato", lamenta. Segundo ela, a sensação de isolamento, mesmo com um smartphone em mãos, foi a pior parte dos cerca de 40 minutos até o resgate.

O que fazer ao ficar preso no elevador

Ficar retido em um elevador exige controle emocional e conhecimento sobre como agir. Especialistas e o próprio relato do incidente reforçam orientações práticas para lidar com a situação com segurança:

  • O botão de emergência é soberano: Nunca tente abrir as portas à força. O alarme físico da cabine é o canal de comunicação mais seguro, pois opera em um sistema independente da rede elétrica principal e de dados móveis.

  • Sente-se e controle a respiração: Assim como fez a motorista, sentar no chão ajuda a evitar vertigens, conserva energia e reduz o risco de quedas. Focar em respirações lentas auxilia no controle da ansiedade e diminui o consumo de oxigênio.

  • Uso consciente do celular: Utilize a lanterna do smartphone com moderação para não esgotar a bateria. A luz ajuda a amenizar a sensação de claustrofobia, mas o aparelho pode ser necessário caso o sinal retorne.

  • Atenção aos alertas sonoros: Como o sinal de celular frequentemente falha nessas estruturas, ter um apito no chaveiro pode ser uma forma analógica e eficaz de sinalizar sua presença aos vizinhos.

  • Cuidados no retorno da energia: Após o restabelecimento da luz, a recomendação é evitar ligar equipamentos de alta potência simultaneamente (como ar-condicionado e chuveiro elétrico) para prevenir danos causados por oscilações na rede.

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