
A esperança e a persistência marcaram a despedida de Nelson Allebrandt, de 55 anos, do Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves. Após 113 dias de uma intensa batalha pela vida, o paciente recebeu alta sob um emocionante corredor de aplausos formado por familiares e profissionais de saúde, celebrando a vitória do cuidado multidisciplinar.
O drama de Nelson começou no final de novembro do ano passado, após uma cirurgia de apendicite realizada na cidade de Carlos Barbosa. O que parecia ser um procedimento comum acabou evoluindo para um quadro clínico de extrema gravidade, desencadeando fístulas intestinais (perfurações que provocam vazamentos), sepse abdominal e infecção generalizada. Ao longo dos meses, ele enfrentou mais de 20 idas ao bloco cirúrgico.
O cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Tacchini, Dr. Leandro da Rocha, explicou que o caso exigiu uma abordagem altamente especializada e cautelosa. As fístulas se mostravam resistentes aos fechamentos cirúrgicos. "Foi um processo muito difícil, raro, que exigiu persistência, estudo e acompanhamento constante. Chegou um momento em que optamos por exteriorizar o intestino, como em uma colostomia, para permitir a cicatrização adequada do abdômen", detalhou o médico.
Ainda assim, as complicações persistiram. A estratégia final da equipe médica foi adotar uma linha conservadora: suspender totalmente a alimentação oral de Nelson e mantê-lo com nutrição exclusivamente venosa (parenteral) por grande parte da internação. Esse jejum prolongado permitiu que o próprio organismo fechasse as fístulas e cicatrizasse naturalmente.
Ao longo de mais de três meses, o paciente alternou internações na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a descompensações clínicas. Hoje, com o quadro estabilizado, ele já teve a alimentação oral reintroduzida gradualmente e não apresenta mais fístulas ou a necessidade da colostomia.
A alta hospitalar marca o início de uma nova fase. Devido às múltiplas intervenções, Nelson desenvolveu a síndrome do intestino curto (que reduz a absorção de nutrientes) e precisará de um acompanhamento nutricional rigoroso em casa. "O mais importante é que ele está bem e com perspectiva de uma vida normal, desde que siga as orientações. Estamos todos muito felizes por ele", celebrou o Dr. Leandro.