
A construção da nova sede da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves ganhou mais um capítulo com a publicação de uma nova licitação no Diário Oficial do Município da sexta-feira (16 de janeiro). O procedimento prevê o pagamento de R$ 3.636.884,30 para a execução de serviços externos, luminotécnicos, isolamento acústico e complementares, dentro da chamada Etapa 2 do entorno da sede.
A vencedora do certame foi a empresa LOTTO – Engenharia e Construções Ltda. Conforme o edital, o preço máximo orçado para essa etapa era de R$ 3.652.210,67, valor que ficou ligeiramente acima do montante contratado.
O novo Palácio Legislativo, projetado para substituir a atual estrutura da Câmara, é considerado um empreendimento antigo e de grande porte. No entanto, à medida que novas fases de licitação são anunciadas, cresce a preocupação na comunidade com o valor final do investimento.
Somente esta nova etapa ultrapassa os R$ 3,6 milhões, reforçando projeções de que o custo total da obra deve superar os R$ 30 milhões, conforme estimativas internas. O aumento contínuo do orçamento tem provocado reações entre moradores, que pedem mais clareza sobre os gastos e questionam a necessidade do projeto diante de demandas consideradas urgentes no município.
A discussão também ganhou força após o presidente do Legislativo, vereador Anderson Zanella (PP), afirmar que a Câmara devolveu cerca de R$ 6 milhões aos cofres do Executivo ao final de 2025. Porém, nenhuma publicação fazendo menção a essa devolução ou lançamento contábil foi apresentado até o momento, apenas a fala do vereador na tribuna da Casa do Povo.
Apesar disso, parte da população entende que o montante retornado ao município não elimina o debate sobre prioridades. Entre as principais críticas está o fato de que, enquanto a obra avança com novas contratações e etapas, Bento Gonçalves enfrenta dificuldades em setores como saúde, infraestrutura, educação e assistência social.
A obra já passou por revisões, aditivos e licitações em diferentes fases. A cada novo anúncio oficial, ampliam-se questionamentos sobre:
a real necessidade da construção de uma nova sede com tanta agilidade;
o volume de recursos direcionado à estrutura;
o impacto nas contas públicas;
a ordem de prioridades na aplicação do dinheiro público.
Em bairros e comunidades do município, relatos de problemas em serviços essenciais alimentam críticas ao avanço do projeto. A cobrança recorrente, segundo moradores, é por mais transparência nos valores já investidos e no custo final estimado, além de uma discussão pública mais ampla sobre o impacto do empreendimento para Bento Gonçalves.