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Prefeitura de Bento doa imóvel para Câmara pagar a conta do novo Palácio

Marcelo Dargelio comenta essa doação estranha e um buraco cada vez maior na obra da nova Câmara de Vereadores.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
21/10/2025 às 08h07 Atualizada em 21/10/2025 às 08h37
Prefeitura de Bento doa imóvel para Câmara pagar a conta do novo Palácio

Há algo de curioso — para não dizer preocupante — na mais recente movimentação financeira entre os poderes de Bento Gonçalves. O prefeito Diogo Siqueira enviou à Câmara Municipal um projeto de lei autorizando a doação de uma sala comercial, avaliada em R$ 98 mil, localizada no Edifício Adelina Ruga, no Centro da cidade. O imóvel, segundo o parecer técnico da própria Prefeitura, encontra-se em más condições de uso, com janelas apodrecidas, fiação antiga e necessidade de reformas estruturais — ou seja, praticamente inviável para ocupação imediata.

Mas o ponto mais intrigante é a finalidade dessa doação: o imóvel será repassado à Câmara para que seja incluído em licitação futura e convertido em recursos financeiros destinados à obra da nova sede do Legislativo, cujo custo já ultrapassa R$ 19,1 milhões. Sempre vale lembrar, que na campanha política de 2024, tanto o vereador Zanella, quanto o prefeito Diogo, bradavam aos quatro ventos que a obra seria transformada em uma escola de educação infantil.

O texto do projeto justifica a operação dizendo que “o Executivo coopera com o Legislativo para cumprir as diretrizes constitucionais e manter a harmonia entre os poderes”. Traduzindo: o prefeito está passando um bem público à Câmara para ajudá-la a pagar a própria obra — uma manobra financeira incomum, que, em tempos de orçamentos apertados, levanta questionamentos sobre a real situação de caixa do projeto e sobre a transparência dos gastos.

Desde que assumiu a presidência da Casa, Anderson Zanella (PP) já gastou quase R$ 5 milhões a mais com a construção do novo Palácio Legislativo, cuja entrega está prometida para maio de 2026. O imóvel doado, ainda que de valor modesto, parece ser um sinal de que o dinheiro está ficando curto — e de que os custos podem continuar escalando.

Além da estrutura física, ainda há o mobiliário, que não entra na conta dos R$ 19,1 milhões. A nova Câmara demandará dezenas de salas, plenário, auditório, tecnologia de som e imagem, e, como se viu recentemente, seis televisores 4K de 86 polegadas adquiridos para a futura sede. Somando apenas os gastos já autorizados, a conta ultrapassa facilmente R$ 19,5 milhões, sem que o prédio tenha saído do papel.

Enquanto isso, a Prefeitura avalia um imóvel deteriorado por menos de R$ 100 mil e o usa como moeda de troca entre os poderes. É pouco — e simbólico: um valor que diz mais sobre as prioridades políticas do que sobre o real patrimônio do município.

Em tempos de crise e desconfiança na classe política, Bento Gonçalves assiste a um jogo de empurra entre Executivo e Legislativo que tem cheiro de improviso. No papel, trata-se de “cooperação entre os poderes”. Na prática, soa como um empurrãozinho para tapar o buraco financeiro de uma obra que parece não ter fim.

 

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