Segunda, 26 de Outubro de 2026
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Novo prefeito de Bento Gonçalves terá salário de R$ 34,5 mil

Reajuste de mais de 50% será votado na Câmara de Vereadores. Subsídio de secretários será de R$ 18 mil.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
26/10/2026 às 14h43
Novo prefeito de Bento Gonçalves terá salário de R$ 34,5 mil

A Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves analisa o Projeto de Lei nº 114/2026, que fixa os subsídios do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais para a legislatura 2029/2032, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2029.

Os valores propostos são:

  • Prefeito: R$ 34.500,00
  • Vice-prefeito: R$ 24.000,00
  • Secretários municipais: R$ 18.000,00

Quanto representa

O subsídio atual do prefeito é de R$ 22.759,66. O proposto representa alta de R$ 11.740,34, ou 51,58%.

Os secretários recebem hoje R$ 11.379,83. A proposta eleva o valor em R$ 6.620,17, ou 58,17%.

Como nos demais projetos de fixação, a comparação é entre o valor vigente hoje e o previsto para 2029. No intervalo, os subsídios atuais seguem sendo corrigidos pelas revisões gerais anuais, de modo que o degrau efetivo na troca de legislatura será menor que o percentual nominal.

O ponto central: o teto do município

O efeito da proposta vai além dos três cargos.

Pelo artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, o subsídio do prefeito é o teto remuneratório aplicável a todos os servidores públicos municipais. Nenhum servidor pode receber acima desse valor.

Elevar o subsídio do prefeito, portanto, eleva o teto de todo o funcionalismo de Bento Gonçalves — em 51,58%, pela proposta.

O pedido dos servidores

O projeto foi encaminhado ao plenário acompanhado de um requerimento de oito servidores municipais, apresentado em 8 de outubro: três profissionais da área contábil e cinco médicos.

No documento, os servidores sustentam que carreiras que exigem alta qualificação técnica já atingem ou superam o teto municipal, e que categorias como médicos, enfermeiros, professores, advogados, contadores e engenheiros foram atingidas pelo mecanismo do abate-teto no exercício de 2026.

Segundo o requerimento, a manutenção de um teto comprimido gera “desestímulo à permanência de servidores altamente qualificados”, perda de atratividade de carreiras e redução do incentivo à progressão funcional.

Os requerentes afirmam que a iniciativa “não objetiva estabelecer privilégio individual a determinados servidores” e que não pretende “afastar ou relativizar o teto constitucional”, mas que ele seja “adequadamente dimensionado”.

O requerimento é assinado por servidores que estão entre as categorias diretamente afetadas pelo teto.

O que mais prevê o projeto

  • Reajustes (art. 5º): correção por lei específica, na mesma data e índice da revisão geral dos servidores municipais
  • 13º salário (art. 6º): pagamento em dezembro, no mesmo mês dos servidores, com possibilidade de adiantamento de metade quando houver adiantamento geral
  • Férias (art. 7º): subsídio acrescido de um terço; o período do último ano de mandato pode ser gozado no segundo semestre ou indenizado em dinheiro, caso não seja possível usufruí-lo

Como fica em relação aos vereadores

A Câmara analisa, na mesma pauta, o Projeto de Lei nº 113/2026, que fixa o subsídio dos vereadores em R$ 15.000,00 e o do presidente da Casa em R$ 24.000,00 a partir de 2029.

Comparando os dois projetos:

  • Hoje, secretário e vereador recebem o mesmo valor — R$ 11.379,83. Em 2029, o secretário passaria a receber 20% a mais que o vereador
  • O vice-prefeito e o presidente da Câmara teriam o mesmo subsídio: R$ 24.000,00
  • O prefeito passaria de duas para 2,3 vezes o subsídio de vereador