
O crescimento global na frota de veículos elétricos trouxe à tona um debate sobre o conforto dos passageiros: o aumento de relatos de enjoo de movimento (cinetose) associados a viagens nesses automóveis. Embora as investigações científicas sobre o tema ainda estejam em fase inicial, neurologistas e pesquisadores em biomecânica apontam que o mal-estar é provocado por um conflito nos sinais sensoriais processados pelo cérebro.
A cinetose ocorre quando há divergência entre a visão, a percepção de equilíbrio do ouvido interno e os estímulos sentidos pelo corpo. Em veículos elétricos, três fatores principais contribuem para intensificar essa sensação:
Silêncio e ausência de vibração: O cérebro humano aprendeu a associar o som e a trepidação do motor a combustão ao movimento de deslocamento. A falta desses estímulos sonoros e táteis gera desacordo sensorial.
Frenagem regenerativa: Sistema que reduz a velocidade para recarregar a bateria quando o condutor alivia o acelerador. A desaceleração mais acentuada pode fazer com que os passageiros balancem para a frente e para trás com frequência.
Aceleração instantânea: Motores elétricos entregam torque imediato, acelerando e retomando velocidade de forma muito mais rápida do que os veículos tradicionais.
Representantes da indústria automotiva e associações de condutores destacam que o estilo de pilotagem do motorista influencia diretamente na experiência e que muitos modelos já permitem ajustar a sensibilidade da frenagem regenerativa. Para amenizar o desconforto, especialistas recomendam fixar a visão no horizonte pela janela dianteira, evitar o uso de celulares e livros, reclinando levemente o assento e mantendo a cabeça firme no encosto.