Terça, 07 de Julho de 2026
Publicidade

Gaeco deflagra operação contra fraude em licitações de shows

Investigação do Ministério Público de Santa Catarina apura formação de cartel, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresários do setor de eventos e agentes públicos

Redação
Por: Redação
07/07/2026 às 16h55
Gaeco deflagra operação contra fraude em licitações de shows
Foto: MPSC/Divulgação

Uma grande ofensiva contra a corrupção no setor de eventos foi desencadeada nas primeiras horas desta terça-feira (7). O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), braço do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com o suporte operacional da Polícia Civil, deflagrou a Operação “Pão e Circo”. A ação visa desmantelar um complexo e suposto esquema criminoso que engloba a formação de cartel, fraudes em licitações públicas, crimes de corrupção e lavagem de dinheiro estruturado por empresários do ramo de entretenimento e servidores públicos.

As equipes policiais e do Ministério Público saíram às ruas para cumprir um expressivo pacote de ordens judiciais, que inclui 50 mandados de busca e apreensão distribuídos por 19 municípios diferentes, além do cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido contra um empresário do setor.

Funcionamento do cartel de shows e punições judiciais

Os levantamentos conduzidos pelos promotores de Justiça revelaram como operava a engrenagem ilícita instalada nos processos de contratação de eventos:

  • Manipulação de Mercado: Empresários do setor artístico teriam se aliado em um cartel estruturado para fraudar certames licitatórios, eliminando artificialmente a concorrência e manipulando preços para monopolizar o mercado de contratação de shows de artistas de renome nacional;

  • Uso de Propina: A investigação aponta que o grupo efetuava o pagamento e o recebimento de vantagens indevidas (propina) para assegurar o direcionamento e a assinatura de contratos públicos;

  • Ocultação de Valores: Mecanismos de lavagem de dinheiro eram rotineiramente utilizados pelos envolvidos para mascarar e introduzir os recursos financeiros obtidos de forma ilícita de volta à economia legal;

  • Asfixia Financeira: Por determinação da Justiça, foi efetuado o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e contas bancárias dos alvos. Também foram impostas medidas cautelares severas, como o afastamento de funções públicas, proibição de participar de novos contratos com o poder público e restrição de contato mútuo entre investigados e testemunhas.

A mobilização ocorreu em 18 cidades de Santa Catarina — incluindo polos como Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Itapema, São Bento do Sul e Palhoça — e estendeu-se até o Rio Grande do Sul, com mandados cumpridos na capital, Porto Alegre. Todo o material recolhido passará por análises minuciosas da Polícia Científica. Como o caso tramita sob sigilo legal, novos desdobramentos serão atualizados conforme o avanço das apurações.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários