
O suco de uva integral voltou a ganhar espaço no mercado nacional em 2026. As vendas cresceram mais de 40% em relação ao ano passado e somaram 6 milhões de litros no primeiro semestre, segundo dados da Cooperativa Vinícola Garibaldi. O resultado marca uma recuperação depois da retração de 2025, quando uma safra pequena reduziu o volume disponível.
O movimento acompanha, segundo a cooperativa, a procura crescente por uma alimentação mais equilibrada e por produtos naturais — perfil no qual o suco de uva integral se encaixa, por ser feito apenas de uva, sem adição de água ou açúcar. Por ser derivado da fruta, conserva cor, aroma e sabor, além de compostos naturais da uva, como os polifenóis.
Esses compostos são estudados por seus possíveis efeitos sobre a saúde. A biomédica Caroline Dani, que pesquisa a bebida há anos e tem doutorado sobre o tema, afirma que os polifenóis teriam ação antioxidante, anti-inflamatória e efeito vasodilatador. "Os polifenóis têm várias ações benéficas à saúde", diz. Segundo a pesquisadora, a bebida também conteria antocianinas, taninos e ácidos como o gálico, associados à capacidade antioxidante e ao equilíbrio da microbiota intestinal.
Ainda de acordo com Caroline, estudos ligam o consumo do suco a melhoras em parâmetros de inflamação e de colesterol em diferentes faixas etárias, e a bebida funcionaria como aliada antes e depois de atividades físicas, por repor carboidratos e polifenóis. A pesquisadora pondera, no entanto, que os benefícios se inserem em um contexto mais amplo. "A gente tem muito do estilo de vida que envolve prática de exercício físico, convivência com as pessoas, bem-estar social e descanso", afirma.
Diferentemente do vinho, o suco integral pode ser consumido em todas as idades. A recomendação geral citada pela pesquisadora é de cerca de 200 mililitros por dia para crianças e até 400 mililitros para adultos, sempre com orientação de profissionais de saúde e considerando a dieta como um todo.