
Dois empresários do ramo calçadista, presos em flagrante durante a Operação Storm, em Ivoti, no Vale do Sinos, foram soltos após audiência de custódia em Porto Alegre. Eles responderão ao processo em liberdade, sob medidas cautelares.
A decisão foi tomada no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional, o Nugesp. Entre as condições impostas estão atualização de endereço e telefone, comparecimento periódico em juízo e proibição de cometer novos delitos. O descumprimento pode levar à prisão preventiva.
A Justiça considerou que não houve pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público ou pela polícia. Também pesaram na decisão o fato de os investigados não terem antecedentes criminais, além de possuírem residência e trabalho fixos.
Os empresários, de 64 e 47 anos, haviam sido presos pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Esteio, com apoio da Delegacia de Ivoti. A investigação apura armazenamento e possível compartilhamento de material de abuso e exploração sexual infantil em ambiente virtual.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos foram monitorados por cerca de três meses. Durante a operação, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão e recolheram computadores, notebooks, celulares, pendrives e HDs externos.
A polícia informou que o material apreendido passa de 100 terabytes. A apuração também aponta que parte dos arquivos era obtida em plataformas da internet, inclusive na dark web, área da rede que exige ferramentas específicas de acesso.
Os nomes dos investigados não foram divulgados. Conforme a Polícia Civil, as empresas ligadas aos dois empresários não são alvo da operação e não têm envolvimento nos crimes investigados.
O material apreendido será periciado pelo Instituto-Geral de Perícias, o IGP. O objetivo é quantificar os arquivos, identificar possíveis vítimas e verificar se houve compartilhamento ou produção de conteúdo criminoso.
Os investigados devem responder por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. A pena para armazenamento pode chegar a quatro anos de reclusão, mas pode aumentar caso a perícia confirme distribuição do material.
A investigação segue em andamento. A Polícia Civil ainda apura a origem dos arquivos, eventuais conexões com outras pessoas e a forma como o conteúdo circulava na internet.