
Uma adolescente de 14 anos foi morta a facadas na tarde desta segunda-feira (17), no bairro Jardim do Trabalhador, em Encantado, no Vale do Taquari. A vítima foi identificada como Alice Nitz.
O crime ocorreu por volta das 14h, dentro de uma casa ligada ao ex-padrasto da adolescente, apontado como o principal suspeito. Ele deixou o local depois do ataque e ainda não havia sido localizado até a última atualização desta reportagem.
Segundo as informações preliminares, o homem manteve um relacionamento de aproximadamente 12 anos com a mãe de Alice. As circunstâncias do término e a relação atual entre os envolvidos serão apuradas pela Polícia Civil.
Após deixar a residência, o suspeito teria entrado em contato com o próprio irmão, que mora no imóvel onde ocorreu o crime. O conteúdo da conversa não foi divulgado. Equipes das forças de segurança realizam buscas na tentativa de localizar o homem. A identidade dele não havia sido informada oficialmente.
A área foi isolada para o trabalho da perícia. Familiares, amigos e moradores acompanharam a movimentação das equipes e ficaram abalados com a morte da adolescente.
A Polícia Civil instaurou um inquérito e trata o caso, inicialmente, como possível vicaricídio. A hipótese é de que Alice tenha sido atacada como forma de provocar sofrimento, punição ou controle sobre a mãe. Essa possível motivação, porém, ainda precisa ser comprovada pela investigação.
O vicaricídio foi incluído no Código Penal pela Lei nº 15.384, sancionada em abril de 2026. O crime ocorre quando alguém mata um descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob a responsabilidade direta de uma mulher com a finalidade específica de atingi-la, em contexto de violência doméstica ou familiar.
A pena prevista é de 20 a 40 anos de prisão. A legislação também classifica o vicaricídio como crime hediondo e prevê aumento da pena quando a vítima é criança ou adolescente, entre outras circunstâncias.
O enquadramento definitivo dependerá das provas reunidas no inquérito. Além de localizar e ouvir o suspeito, os investigadores deverão colher depoimentos de familiares e testemunhas, analisar comunicações e aguardar os laudos periciais para esclarecer a dinâmica e a motivação do ataque.