
A Polícia Civil prendeu dois empresários em flagrante durante a Operação Storm, realizada na manhã da sexta-feira, 26, em Ivoti, no Vale do Sinos. A ação investiga armazenamento e compartilhamento de material de abuso e exploração sexual infantil.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a Deam de Esteio, com apoio da Delegacia de Polícia de Ivoti. Os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços mapeados durante a apuração.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos foram monitorados por cerca de três meses pelo setor de inteligência. As investigações cibernéticas apontaram o uso de redes compartilhadas para baixar, de forma sistemática, arquivos com conteúdo criminoso.
Durante as buscas, peritos do Instituto-Geral de Perícias, o IGP, localizaram grande volume de material de abuso sexual infantojuvenil. Foram apreendidos computadores, notebooks, smartphones, pendrives e HDs externos.
Os investigadores estimam que o material apreendido ultrapasse 100 terabytes. Também foram encontrados conteúdos adultos e arquivos envolvendo animais. Todo o material eletrônico passará por perícia para quantificar os arquivos e verificar se houve compartilhamento ou produção de conteúdo criminoso.
Os presos têm 64 e 47 anos. Os nomes não foram divulgados. Conforme a investigação, ambos são sócios de empresas de grande porte. Um deles pertence a uma família tradicional do setor calçadista no Estado. O outro atua no ramo de matrizes e componentes para calçados.
O delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, destacou que as empresas dos investigados não são alvo da operação e não têm envolvimento nos crimes apurados.
Os empresários devem responder por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. As penas variam conforme a conduta investigada e podem aumentar caso a perícia confirme compartilhamento do material.
A delegada Luciane Bertoletti afirmou que a operação reforça o combate à exploração sexual infantil em ambiente digital. A Polícia Civil também ressaltou que o uso da tecnologia para esse tipo de prática criminosa segue como prioridade de investigação.
Os dois presos permanecem à disposição da Justiça. A investigação continua para identificar a extensão do material apreendido, eventuais conexões com outros investigados e a forma como os arquivos circulavam.