
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deu sequência ao ciclo de flexibilização monetária e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17). Com o ajuste, os juros básicos da economia brasileira passam a operar em 14,25% ao ano. Embora o movimento confirme as projeções majoritárias do mercado financeiro, a aceleração recente dos índices de preços internos gerou manifestações de cautela entre empresários e economistas.
Este é o menor patamar dos juros desde maio de 2025. A decisão foi respaldada, em parte, pelo recuo das tensões no Oriente Médio após o acordo de paz selado no último domingo (14) entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu de imediato a pressão sobre as cotações internacionais do petróleo. Contudo, o cenário doméstico exige uma postura conservadora pela autoridade monetária devido ao ritmo forte da atividade econômica no primeiro trimestre e à resiliência do mercado de trabalho.
O comportamento da economia nacional divide as opiniões dos representantes dos setores produtivos do Rio Grande do Sul. Conforme avaliação da Fecomércio-RS, o corte era previsto, mas riscos associados à inflação de serviços, ao desequilíbrio fiscal do governo e aos potenciais efeitos do fenômeno El Niño sobre as contas de luz e alimentos continuam no radar das empresas.
Por outro lado, o Sistema Fiergs e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificaram a redução como tímida para baratear o custo do crédito e estimular investimentos em expansão. Além das pressões inflacionárias tradicionais, o setor industrial manifesta preocupação com os debates em andamento no Senado sobre a redução da jornada de trabalho, fator que pode acrescentar custos à folha de pagamento. O colegiado do banco indicou que manterá a serenidade na condução da política monetária e agendou o próximo encontro para os dias 4 e 5 de agosto, quando reavaliará a trajetória da taxa Selic frente às metas de inflação.