
A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta segunda-feira, 15, a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois médicos veterinários. Eles são investigados na 2ª fase da Operação Carrasco, que apura eutanásias fraudulentas de cães e gatos, maus-tratos, associação criminosa e estelionato.
Segundo a investigação, Paula teria usado a imagem de protetora de animais para arrecadar dinheiro por Pix e vaquinhas virtuais. As campanhas prometiam custear cirurgias, internações e tratamentos. Nos bastidores, porém, animais ainda com possibilidade de recuperação teriam sido encaminhados para eutanásia.
A polícia afirma que o esquema funcionava em duas frentes. Nas redes sociais, a investigada divulgava casos de cães e gatos em estado grave para comover doadores. Fora da exposição pública, ela teria autorizado a morte de animais antes de exames ou tentativas de tratamento, reduzindo custos e mantendo a arrecadação.
A apuração cita um caso em que uma veterinária perguntou se deveria fazer teste para confirmar cinomose (doença viral grave em cães). A resposta atribuída a Paula foi para seguir direto com a eutanásia, sem diagnóstico definitivo. No mesmo dia, conforme a polícia, houve pedido de doações para o suposto tratamento da cadela.
Em outro episódio, um animal com suspeita de esporotricose (infecção causada por fungo e com tratamento disponível) também teria sido enviado à eutanásia. A profissional teria alertado sobre a possibilidade de tratamento, mas a ordem foi interpretada pelos investigadores como autorização para sacrificar o animal.
Conforme a Polícia Civil, Paula ostentava nas redes sociais fotos de animais com deficiência que dizia adotar e salvar. Essa imagem, segundo os investigadores, ajudava a dar credibilidade às campanhas de arrecadação. Mesmo após deixar a secretaria, o esquema teria continuado por meio de uma associação mantida em um sítio.
Desde 2020, o instituto ligado à investigada teria realizado 549 vaquinhas virtuais. As campanhas arrecadaram R$ 672.670,39 de 14.545 doadores, que acreditavam financiar tratamentos para os animais.
Na ação desta segunda-feira, os policiais cumpriram três prisões preventivas e 12 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares, computadores e outros materiais. Um cão debilitado, sem as patas dianteiras, também foi resgatado. Segundo o ABC+, o animal se chama Dudu e era usado recentemente em pedidos de doações.
A primeira fase da Operação Carrasco ocorreu em 4 de setembro de 2025 e mirou a antiga estrutura da Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Na ocasião, denúncias de usuários e servidores apontaram número elevado de eutanásias no órgão. A análise do material apreendido levou a polícia aos veterinários que atuariam fora da secretaria.
A investigação agora busca cruzar dados de microchips para descobrir o paradeiro de animais que desapareceram dos registros. A Polícia Civil quer saber quantos cães e gatos podem ter sido mortos no esquema.
| Etapa | O que a polícia apura |
|---|---|
| Imagem pública | Paula se apresentava como protetora de animais |
| Captação | Campanhas de Pix e vaquinhas prometiam tratamentos |
| Execução | Animais eram encaminhados a veterinários fora da secretaria |
| Fraude | Alguns teriam sido mortos mesmo com chance de tratamento |
| Lucro | Custos eram reduzidos enquanto as doações continuavam |
| Continuidade | O esquema teria seguido após a exoneração de Paula |
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Presos preventivamente | 3 |
| Mandados de busca | 12 |
| Vaquinhas virtuais | 549 |
| Valor arrecadado | R$ 672.670,39 |
| Doadores | 14.545 |
| Início das campanhas apuradas | 2020 |