Segunda, 15 de Junho de 2026
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Polícia prende protetora e dois veterinários por mortes de animais

Operação foi realizada na manhã desta segunda-feira, 15, e investiga eutanásias fraudulentas de cães e gatos.

Redação
Por: Redação
15/06/2026 às 10h12 Atualizada em 15/06/2026 às 12h23
Polícia prende protetora e dois veterinários por mortes de animais

A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta segunda-feira, 15, a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois médicos veterinários. Eles são investigados na 2ª fase da Operação Carrasco, que apura eutanásias fraudulentas de cães e gatos, maus-tratos, associação criminosa e estelionato.

Segundo a investigação, Paula teria usado a imagem de protetora de animais para arrecadar dinheiro por Pix e vaquinhas virtuais. As campanhas prometiam custear cirurgias, internações e tratamentos. Nos bastidores, porém, animais ainda com possibilidade de recuperação teriam sido encaminhados para eutanásia.

A polícia afirma que o esquema funcionava em duas frentes. Nas redes sociais, a investigada divulgava casos de cães e gatos em estado grave para comover doadores. Fora da exposição pública, ela teria autorizado a morte de animais antes de exames ou tentativas de tratamento, reduzindo custos e mantendo a arrecadação.

A apuração cita um caso em que uma veterinária perguntou se deveria fazer teste para confirmar cinomose (doença viral grave em cães). A resposta atribuída a Paula foi para seguir direto com a eutanásia, sem diagnóstico definitivo. No mesmo dia, conforme a polícia, houve pedido de doações para o suposto tratamento da cadela.

Em outro episódio, um animal com suspeita de esporotricose (infecção causada por fungo e com tratamento disponível) também teria sido enviado à eutanásia. A profissional teria alertado sobre a possibilidade de tratamento, mas a ordem foi interpretada pelos investigadores como autorização para sacrificar o animal.

Conforme a Polícia Civil, Paula ostentava nas redes sociais fotos de animais com deficiência que dizia adotar e salvar. Essa imagem, segundo os investigadores, ajudava a dar credibilidade às campanhas de arrecadação. Mesmo após deixar a secretaria, o esquema teria continuado por meio de uma associação mantida em um sítio.

Desde 2020, o instituto ligado à investigada teria realizado 549 vaquinhas virtuais. As campanhas arrecadaram R$ 672.670,39 de 14.545 doadores, que acreditavam financiar tratamentos para os animais.

Na ação desta segunda-feira, os policiais cumpriram três prisões preventivas e 12 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares, computadores e outros materiais. Um cão debilitado, sem as patas dianteiras, também foi resgatado. Segundo o ABC+, o animal se chama Dudu e era usado recentemente em pedidos de doações.

A primeira fase da Operação Carrasco ocorreu em 4 de setembro de 2025 e mirou a antiga estrutura da Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Na ocasião, denúncias de usuários e servidores apontaram número elevado de eutanásias no órgão. A análise do material apreendido levou a polícia aos veterinários que atuariam fora da secretaria.

A investigação agora busca cruzar dados de microchips para descobrir o paradeiro de animais que desapareceram dos registros. A Polícia Civil quer saber quantos cães e gatos podem ter sido mortos no esquema.

Como funcionaria o esquema

Etapa O que a polícia apura
Imagem pública Paula se apresentava como protetora de animais
Captação Campanhas de Pix e vaquinhas prometiam tratamentos
Execução Animais eram encaminhados a veterinários fora da secretaria
Fraude Alguns teriam sido mortos mesmo com chance de tratamento
Lucro Custos eram reduzidos enquanto as doações continuavam
Continuidade O esquema teria seguido após a exoneração de Paula

Números da Operação Carrasco

Indicador Resultado
Presos preventivamente 3
Mandados de busca 12
Vaquinhas virtuais 549
Valor arrecadado R$ 672.670,39
Doadores 14.545
Início das campanhas apuradas 2020
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