Sexta, 07 de Agosto de 2026
Publicidade

“Quando mexo na escala do tempo, mexo na essência”, diz desembargador

Francisco Rossal de Araújo, do TRT4, analisou os impactos do fim da escala 6x1 em palestra no CIC-BG e defendeu cautela e negociação coletiva.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
07/08/2026 às 10h47
“Quando mexo na escala do tempo, mexo na essência”, diz desembargador
Desembargador lembrou que a redução de jornada pode ocorrer sem imposição legal, por meio de negociação coletiva, com acordos que atendam tanto a contratantes quanto a contratados - Fotos: Bárbara Salvatti/Exata Comunicação

A proposta que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas mexe em um elemento central das relações de trabalho: a forma como o tempo — e não a produção — define a remuneração. Foi esse o fio condutor da palestra do desembargador Francisco Rossal de Araújo, do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), promovida pelo CIC-BG na noite de quinta-feira (6), em Bento Gonçalves.

Professor de Direito do Trabalho na UFRGS, o magistrado analisou o tema sob o ponto de vista técnico e defendeu cautela diante do que classificou como uma questão complexa. "Nada mais ingênuo do que achar que problemas difíceis têm soluções fáceis. Problemas complexos têm soluções complexas", afirmou.

Para ele, é justamente a lógica da remuneração por tempo que explica a sensibilidade do debate. "O padrão remuneratório do trabalho é medido por unidades de tempo. Quando eu mexo na escala do tempo, eu mexo na essência", disse. Segundo o desembargador, trabalhar melhor para trabalhar menos segue como uma aspiração comum, mas depende de uma base econômica capaz de sustentar o custo da mudança.

Setores com jornada diferenciada e o caminho da negociação

Rossal de Araújo chamou atenção para os efeitos da proposta sobre categorias com jornadas diferenciadas, como as das áreas da saúde e do turismo — setores de peso na economia da Serra Gaúcha.

Ele lembrou ainda que a redução de jornada pode ocorrer sem imposição legal, por meio de negociação coletiva, com acordos que atendam tanto a contratantes quanto a contratados.

Outro ponto que destacou foi o prazo previsto de dois meses para a revisão das convenções coletivas em vigor, que considerou curto diante da complexidade das negociações. "Talvez tenha faltado um olhar experiente em negociação para propor seis meses, pelo menos", avaliou.

Trabalho e benefícios sociais

Questionado sobre a relação entre a nova jornada e a demanda por benefícios sociais, o magistrado defendeu o trabalho como via de emancipação. "Nossa política básica é a relação de emprego. Esses benefícios têm que ser pensados como exceção, não como regra", afirmou.

Ao encerrar, fez um apelo à ponderação no debate: "Não tem certo e errado. Isso não quer dizer ficar em cima do muro. Mas eu não posso entrar com posições pré-concebidas, sem ao menos ouvir as virtudes do argumento de quem não concorda comigo."

Para o presidente do CIC-BG, Daniel Panizzi, o tema é relevante para a região. "Não é simplesmente uma mudança de escala, mas um impacto econômico que atinge diretamente a rotina de quem empreende", disse.

Novos associados

Novos associados foram recepcionados oficialmente no evento do CIC-BG

 

Na oportunidade, o CIC-BG apresentou oficialmente os associados que passam a integrar o quadro da entidade. Antes do início da programação da palestra-jantar, os representantes das empresas visitaram a sede, conheceram o trabalho desenvolvido pela entidade e participaram de um encontro de boas-vindas com espaço para networking. Foram apresentados representantes da Assessoria Alto Impacto, BM Viagens e Turismo, Camilu Modas Profissional, GET Publicidade na Internet, Grupo ME Central de Representações, Largura e Marin Serviços, Meggiolaro, Cenci e Rizzi Advogados Associados, Proladder Elétrica e Automação, Tornedor Loja de Carnes e Eventos e Vitiacieri Casa das Cucas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários