Quinta, 04 de Junho de 2026
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Leilão do Bloco 2 de rodovias estaduais é cancelado por falta de propostas

Comissão de Licitações declarou concorrência deserta nesta quarta-feira (3); projeto previa R$ 6 bilhões em investimentos no Vale do Taquari e Região Norte

Redação
Por: Redação
03/06/2026 às 23h00 Atualizada em 03/06/2026 às 23h58
Leilão do Bloco 2 de rodovias estaduais é cancelado por falta de propostas
Foto: Reprodução

O leilão internacional voltada à concessão de 409 quilômetros de rodovias estaduais localizadas no Vale do Taquari e na Região Norte do Rio Grande do Sul foi oficialmente cancelado. A decisão ocorreu após nenhuma empresa ou consórcio privado manifestar interesse e apresentar proposta comercial dentro dos prazos regulamentares. Diante da ausência de concorrentes, a Comissão Permanente de Licitações do Estado declarou a concorrência deserta nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026.

O certame oficial de disputa estava originalmente agendado para o dia 10 de junho e seria realizado na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O plano de desestatização, batizado como Bloco 2, abrangia o território de 32 municípios gaúchos e exigiria uma contrapartida de R$ 6 bilhões em investimentos estruturais ao longo do contrato pelas futuras concessionárias. O lote incluía a administração e manutenção de trechos estratégicos de seis estradas: RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-324 e RSC-453.

Críticas da CPI e riscos de mercado

O governador Eduardo Leite utilizou os canais oficiais para se manifestar sobre o desfecho negativo, classificando o resultado da licitação como "lamentável". Em sua análise, Leite chamou a atenção para o contraste desse cenário com a conjuntura nacional, onde os leilões de concessões rodoviárias federais e de outros estados vêm registrando forte atratividade com disputas acirradas.

Para o chefe do Executivo, o desinteresse do mercado pode ter sido fortemente influenciado por dois fatores de fricção institucional:

  • Os riscos operacionais e de engenharia percebidos pelos investidores no desenho final do projeto;

  • O ambiente político turbulento gerado em torno do modelo de concessões no Rio Grande do Sul.

O governador citou abertamente que o bombardeio de críticas severas capitaneadas por parlamentares da oposição e a recente instalação da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa criaram uma atmosfera de insegurança jurídica, reduzindo o apetite dos grandes grupos econômicos pelo edital gaúcho. Mesmo diante do revés, Leite voltou a defender a modelagem de parcerias com a iniciativa privada como a única alternativa viável frente às severas limitações fiscais e orçamentárias enfrentadas pelo Tesouro do Estado.

Impacto no Bloco 1 de rodovias

A falta de interessados no Bloco 2 surpreendeu setores técnicos, uma vez que o Piratini já havia promovido uma série de ajustes estruturais no texto do edital, incluindo uma redução forçada no teto da tarifa do pedágio. Essas modificações haviam sido implementadas justamente para atender a apontamentos e recomendações de controle prévio emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS).

Com a concorrência frustrada, a equipe econômica do governo estadual iniciou uma rodada de avaliações para traçar os próximos passos regulatórios do Bloco 2. No entanto, o impacto do esvaziamento do leilão é sistêmico e deve respingar diretamente no andamento do Bloco 1 de concessões, que envolve eixos altamente movimentados como a RS-239 e a RS-115. Anteriormente, o próprio Palácio Piratini havia indicado que o desfecho e a aceitação de mercado do Bloco 2 serviriam como o balizador determinante para autorizar o avanço ou a revisão do cronograma do Bloco 1.

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