Sábado, 30 de Maio de 2026
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Embrapa imprime salmão, caviar e lula vegetal em 3D

Protótipos feitos imitam forma, sabor e composição nutricional de alimentos de origem animal.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
30/05/2026 às 14h19
Embrapa imprime salmão, caviar e lula vegetal em 3D

Um filé de salmão, porções de caviar e anéis de lula saíram de impressoras 3D no laboratório da Embrapa em Brasília. Depois de 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveu amostras de alimentos impressos em 3D com base vegetal, capazes de imitar produtos de origem animal.

Os protótipos não copiam apenas a aparência. Segundo os pesquisadores, as amostras também buscam reproduzir sabor, textura e características nutricionais dos alimentos originais, com atenção a carboidratos, lipídeos e proteínas.

A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO, explica que a equipe avaliou a composição nutricional dos tecidos animais para buscar, em recursos vegetais, ingredientes com percentuais semelhantes.

As amostras foram criadas com tintas alimentícias feitas a partir de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes. Conforme a pesquisadora, boa parte dos ingredientes é semelhante aos itens usados na cozinha doméstica.

Parte dos insumos veio dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, acervos que guardam material genético de plantas, microrganismos e animais. Os pesquisadores comparam esse repositório a uma espécie de “arca de Noé” científica.

O coordenador dos projetos de impressão de alimentos, Luciano Paulino da Silva, afirma que esse banco permite elaborar alimentos de base vegetal com composição o mais próxima possível da encontrada em animais.

A tecnologia também permite o enriquecimento nutricional dos produtos. Na prática, os cientistas conseguem ajustar formulações para incluir nutrientes específicos, o que pode abrir caminho para alimentos voltados a pessoas com restrições alimentares ou necessidades nutricionais especiais.

Os alimentos impressos em 3D ainda estão em fase experimental. Eles já foram provados por pessoas, após liberação de comissão de ética, mas não há data para chegada ao mercado.

A pesquisa recebeu financiamento do Good Food Institute, organização internacional sem fins lucrativos que apoia estudos sobre proteínas alternativas, alimentos à base de plantas, fermentação e carne cultivada em laboratório.

A entrada comercial dessa tecnologia ainda depende do modelo de negócio. Os alimentos poderão ser feitos em impressoras domésticas, preparados em restaurantes ou produzidos em escala industrial.

Produtos impressos já são comercializados em países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No Brasil, além da Embrapa, pesquisadores da Unesp desenvolvem experimentos na área em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

O avanço dos alimentos impressos em 3D aproxima ciência, gastronomia e sustentabilidade. A tecnologia pode reduzir pressão sobre a pesca, criar alternativas para quem não consome carne e ampliar a oferta de alimentos com formulações nutricionais planejadas.

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