
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação Revoada II. O objetivo principal da ofensiva é desarticular o núcleo operacional e de comando da facção criminosa Bala na Cara, que atua no tráfico de entorpecentes em Canoas, na Região Metropolitana, e possui lideranças reclusas no sistema penitenciário.
A ação mobilizou dezenas de policiais para o cumprimento de nove ordens judiciais de busca e apreensão. Os mandados foram divididos entre alvos estratégicos no município de Canoas e em celas do Complexo Prisional de Charqueadas, de onde partiam ordens de execuções e gerenciamento de pontos de venda de drogas.
Em Canoas, o foco das equipes policiais foi o condomínio popular conhecido como Machadinho, localizado no bairro Fátima. De acordo com o relatório da investigação, membros da organização criminosa exerciam forte controle territorial sobre a área residencial, constrangendo moradores.
Durante as buscas nos blocos do residencial, os agentes localizaram e apreenderam oito câmeras de monitoramento. Os equipamentos haviam sido instalados ilegalmente pelos traficantes em pontos altos e postes para vigiar a rotina do condomínio e antecipar a chegada de viaturas da Brigada Militar ou da Polícia Civil.
A delegada Graziela Zinelli, que coordenou as ações da Operação Revoada II, esclareceu que as buscas servem para robustecer o conjunto de provas de um inquérito que apura um duplo homicídio consumado no dia 21 de janeiro deste ano, no bairro Rio Branco.
Na ocasião, o jovem Sérgio Recks Júnior, de 19 anos, e a sua mãe, uma mulher de 51 anos, foram executados a tiros em via pública. A linha de investigação aponta de forma contundente que o crime foi motivado por fraturas e disputas internas entre criminosos pelo controle de territórios da região.
As câmeras apreendidas foram encaminhadas ao setor de perícia técnica e inteligência cibernética. Os policiais acreditam que as imagens gravadas nos dispositivos ajudem a identificar os executores diretos, motoristas e possíveis cúmplices que prestaram apoio logístico no dia do atentado contra mãe e filho.