
O debate sobre a reestruturação das jornadas de trabalho no Brasil ganhou um capítulo decisivo nesta segunda-feira (25). Em Brasília, o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) apresentou seu parecer na comissão especial da Câmara dos Deputados, posicionando-se formalmente a favor do fim da escala 6x1 — modelo atual que permite seis dias de trabalho para um de descanso.
Durante uma explanação de três horas, o relator detalhou os argumentos técnicos, econômicos e sociais que embasam o seu voto. A proposta central de Prates estabelece a transição para um limite máximo de 40 horas semanais de trabalho, com a obrigatoriedade de pelo menos dois dias de folga por semana, além de vetar expressamente qualquer tipo de corte nos vencimentos dos trabalhadores.
O parlamentar rebateu as alegações do setor empresarial de que a extinção do modelo 6x1 traria prejuízos financeiros generalizados à economia. Apoiado em pesquisas globais e em experiências práticas de transição para modelos como 5x2 ou 4x3, Prates argumentou que a concessão de mais tempo de repouso gera fatores que tendem a neutralizar os custos operacionais das empresas.
Queda no absenteísmo: Diminuição significativa nos afastamentos por motivos de saúde e adoecimento mental;
Redução do turnover: Menos rotatividade de funcionários, reduzindo custos com demissões e novos treinamentos;
Aumento de produtividade: Profissionais mais descansados apresentam maior rendimento e eficiência durante as horas trabalhadas.
O parecer também dedicou forte atenção aos aspectos socioculturais da atual jornada, criticando o distanciamento dos trabalhadores do ambiente doméstico, com ênfase no impacto sobre as mulheres.
"Não existe defesa da família sem a presença dos pais em casa", afirmou o relator, sublinhando o impacto negativo do modelo atual na criação dos filhos e na convivência familiar.
Por fim, o deputado classificou a busca por tempo livre e qualidade de vida como uma transformação geracional irreversível, impulsionada principalmente pelos jovens e sua nova relação com o emprego. O texto apresentado pelo relator ainda passará por discussão interna e deve ser votado em breve pelos membros da comissão especial antes de seguir para o plenário da Câmara.