Segunda, 25 de Maio de 2026
Publicidade

Relator apresenta parecer na Câmara dos Deputados pelo fim da escala 6x1

Proposta de Léo Prates prevê teto de 40 horas semanais, dois dias de folga obrigatórios e proibição de redução salarial no país

Redação
Por: Redação
25/05/2026 às 21h53 Atualizada em 25/05/2026 às 22h27
Relator apresenta parecer na Câmara dos Deputados pelo fim da escala 6x1
O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator do fim da escala 6x1. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O debate sobre a reestruturação das jornadas de trabalho no Brasil ganhou um capítulo decisivo nesta segunda-feira (25). Em Brasília, o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) apresentou seu parecer na comissão especial da Câmara dos Deputados, posicionando-se formalmente a favor do fim da escala 6x1 — modelo atual que permite seis dias de trabalho para um de descanso.

Durante uma explanação de três horas, o relator detalhou os argumentos técnicos, econômicos e sociais que embasam o seu voto. A proposta central de Prates estabelece a transição para um limite máximo de 40 horas semanais de trabalho, com a obrigatoriedade de pelo menos dois dias de folga por semana, além de vetar expressamente qualquer tipo de corte nos vencimentos dos trabalhadores.

O parlamentar rebateu as alegações do setor empresarial de que a extinção do modelo 6x1 traria prejuízos financeiros generalizados à economia. Apoiado em pesquisas globais e em experiências práticas de transição para modelos como 5x2 ou 4x3, Prates argumentou que a concessão de mais tempo de repouso gera fatores que tendem a neutralizar os custos operacionais das empresas.

Benefícios apontados no relatório:

  • Queda no absenteísmo: Diminuição significativa nos afastamentos por motivos de saúde e adoecimento mental;

  • Redução do turnover: Menos rotatividade de funcionários, reduzindo custos com demissões e novos treinamentos;

  • Aumento de produtividade: Profissionais mais descansados apresentam maior rendimento e eficiência durante as horas trabalhadas.

O parecer também dedicou forte atenção aos aspectos socioculturais da atual jornada, criticando o distanciamento dos trabalhadores do ambiente doméstico, com ênfase no impacto sobre as mulheres.

"Não existe defesa da família sem a presença dos pais em casa", afirmou o relator, sublinhando o impacto negativo do modelo atual na criação dos filhos e na convivência familiar.

Por fim, o deputado classificou a busca por tempo livre e qualidade de vida como uma transformação geracional irreversível, impulsionada principalmente pelos jovens e sua nova relação com o emprego. O texto apresentado pelo relator ainda passará por discussão interna e deve ser votado em breve pelos membros da comissão especial antes de seguir para o plenário da Câmara.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários