
O DetranRS adotou uma estratégia visual de forte impacto para tentar frear a violência no trânsito gaúcho. No âmbito do Maio Amarelo 2026, o órgão lançou uma campanha que espalha intervenções urbanas impressionantes por cinco das maiores cidades do estado: Porto Alegre, Pelotas, Caxias do Sul, Canoas e Santa Maria. A ação consiste na instalação de um "pin" de localização gigante (símbolo de mapas digitais) fincado ao lado de motocicletas reais acidentadas, simbolizando a trágica "última parada" de um condutor.
Sob o tema nacional "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas", a iniciativa busca dar visibilidade à vulnerabilidade de quem anda de moto. Até o dia 31 de maio, a campanha ocupará as ruas, emissoras de rádio, redes sociais e portais de notícias. O projeto conta com o apoio de parceiros como o SindiCRD, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e prefeituras locais.
A necessidade de uma ação drástica é justificada por um descompasso estatístico preocupante registrado no primeiro trimestre de 2026: enquanto o total geral de acidentes no estado caiu 12%, os sinistros envolvendo motociclistas subiram 8%.
Vítimas fatais: Foram 122 motociclistas e 15 caronas mortos nos primeiros três meses do ano. Eles representam 36% do total de mortes no trânsito gaúcho, embora as motos componham apenas 17% da frota total de veículos do RS.
Falta de habilitação: Um dado que impressiona as autoridades é que 37% dos motociclistas mortos não tinham CNH.
Trabalho sobre duas rodas: Entre as vítimas que possuíam carteira de motorista, 40% tinham o registro de EAR (Exerce Atividade Remunerada), número que o DetranRS acredita estar subnotificado devido à informalidade no setor de entregas por aplicativos.
Para a diretora do DetranRS, Isabel Friski, o choque visual provocado pelas estruturas nas ruas é um chamado urgente para que motoristas de veículos maiores respeitem o espaço das motos e para que os próprios motociclistas abandonem comportamentos de risco, como o excesso de velocidade.