
As passarelas que deveriam garantir a travessia segura de pedestres na BR-116, RS-239 e RS-240 tornaram-se pontos de medo e vulnerabilidade. Uma série de crimes recentes, incluindo o latrocínio do estudante Daniel Thiesen Pinheiro, de 17 anos, morto há duas semanas na passarela da Estação Fátima, em Canoas, acendeu um alerta sobre o abandono dessas estruturas. Entre Estância Velha e Novo Hamburgo, a onda de roubos também assusta quem precisa atravessar as vias.
Uma reportagem percorreu 52 passarelas no Vale do Sinos e Região Metropolitana, constatando um cenário de degradação. Na passarela da Estação Fátima, o "breu" é quase total, situação que se repete na Rua Domingos Martins, também em Canoas. Além da falta de iluminação, o acúmulo de lixo e a presença de áreas de sombra criam o ambiente ideal para a ação de criminosos, fazendo com que a circulação de pessoas caia drasticamente após as 20h em cidades como São Leopoldo e Novo Hamburgo.
Insegurança feminina: Moradoras como Jéssica Amoedo Batista e Maria Eduarda Borba Mendes destacam que o desconforto é constante, potencializado pela sujeira e pela total escuridão, que impede a visão de quem está à frente.
Trauma: Pedestres que já foram assaltados, como Ventus Venturini, relatam que a travessia é feita sob desconfiança absoluta, muitas vezes preferindo arriscar-se entre os carros a subir nas estruturas isoladas.
A manutenção da iluminação nessas áreas é um desafio que envolve prefeituras e concessionárias, mas, enquanto as melhorias não chegam, o pedestre segue encurralado entre o risco de atropelamento nas pistas e o perigo de assaltos nas alturas.