
O bolso dos gaúchos está sentindo o reflexo direto da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã. Em apenas 30 dias, o preço médio do diesel no Rio Grande do Sul saltou de R$ 6,23 para R$ 7,53, um aumento de aproximadamente 20%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O impacto é sistêmico: como o diesel move 85% da produção e do transporte no estado, o encarecimento do frete já desembarcou nas prateleiras dos supermercados.
A alta dos combustíveis é um dos motores da inflação e altera o comportamento de consumo. Relatos de consumidores indicam que o mesmo valor gasto anteriormente agora resulta em cestas de compras significativamente menores. De acordo com o economista Silvio Cezar Arend, o cenário é de alerta, com o risco de novas elevações "batendo à porta" caso o conflito internacional não dê sinais de arrefecimento.
Para tentar frear a escalada, o governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) que prevê dois meses de subsídio, o que poderia reduzir o preço da gasolina entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro. No entanto, o otimismo é cauteloso. O presidente do Sulpetro, Fabricio Severo Braz, ressalta que o desconto pode não chegar integralmente ao consumidor, uma vez que o preço final depende das condições de compra de cada revendedor e da reposição de estoques.