Sexta, 15 de Maio de 2026
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Falta de vagas em creches trava futuro de mães em Bento

Sem zoneamento eficiente, mãe de gêmeas perde oportunidade de assumir concurso público por falta de assistência da SMED

Redação
Por: Redação
15/05/2026 às 08h00
Falta de vagas em creches trava futuro de mães em Bento
“Eu tô à mercê da boa vontade da SMED de me ceder uma vaga”. (Foto: Reprodução)

Bento Gonçalves enfrenta um problema crônico na oferta de vagas para o ensino infantil que continua a gerar transtornos graves para as famílias locais. O caso mais recente envolve Thaís Vidal da Cruz, de 31 anos, moradora do bairro Humaitá, que vive um impasse dramático. Aprovada em um concurso público municipal, ela não pode assumir o cargo por não ter onde deixar as filhas gêmeas de um ano. O relato expõe a falha na gestão de zoneamento da Secretaria Municipal de Educação (SMED), que oferece vagas em bairros distantes, ignorando a realidade logística e financeira das mães solo ou desempregadas.

O paradoxo do concurso público

Thaís alcançou a 6ª colocação no último concurso da prefeitura para o cargo de Auxiliar de Educação Infantil. Ironicamente, a profissional que deveria estar cuidando das crianças da rede municipal está impedida de trabalhar, justamente, pela falta de serviço da rede que a contrataria. Sem o amparo de uma vaga próxima, ela precisou solicitar o deslocamento para o fim da fila de chamadas, na esperança de que a situação se resolva antes de uma segunda convocação.

Thaís está atualmente desempregada e precisa sustentar as duas filhas e pagar aluguel. "Eu tive que pedir pra ficar no fim da fila... eu não consegui assumir o concurso", lamenta a mãe.

Falha no zoneamento e logística impossível

O sistema de zoneamento, que deveria garantir que a criança estude perto de sua residência, parece não funcionar na prática. Mesmo residindo no Humaitá, onde Thaís identifica quatro unidades próximas — EMI Humaitá, Recanto do Beija-flor, Feliz da Vida e Be Happy — a SMED ofereceu vagas apenas em creches particulares conveniadas no bairro São Francisco.

A oferta ignora que a mãe não possui veículo e teria que percorrer longas distâncias a pé com as bebês no colo. Em resposta oficial via mensagens, a Central de Vagas limitou-se a informar que "não abriram vagas mais próximas para a idade delas".

O custo oculto da "vaga gratuita"

Outro ponto crítico é a insuficiência do subsídio municipal nas escolas conveniadas. Segundo a informação repassada pela mão, a prefeitura paga o valor fixo de R$ 1.445,00 por vaga. No entanto, a regra estabelece que a prefeitura não se responsabiliza por despesas extras, materiais ou transporte. Caso a mensalidade da escola seja superior ao repasse, a família deve arcar com a diferença. "Eu vou trabalhar pra pagar pra elas ir pra escola", critica Thaís, ressaltando que o valor restante e os custos de deslocamento inviabilizam o emprego.

O que diz a Secretaria de Educação

Questionada sobre o caso, a Secretaria Municipal de Educação informa que foi disponibilizada vaga adquirida na rede conveniada para as crianças permanecerem juntas, em conformidade com a legislação vigente, em unidade localizada a aproximadamente 2 km da residência da família. No entanto, a opção oferecida não foi aceita pelos responsáveis.

Eficiência questionada

A resposta da secretaria, contudo, não resolve o impasse logístico de uma mãe que não possui transporte próprio para deslocar dois bebês de colo por dois quilômetros diariamente, especialmente em uma cidade com relevo acidentado. A situação levanta um questionamento inevitável sobre a eficiência da administração pública: como o governo municipal pode exigir que a população trabalhe e reduza a dependência de benefícios sociais se não oferece a infraestrutura básica de cuidado infantil de forma acessível?

O "calvário" relatado por Thaís demonstra que a falta de planejamento no zoneamento é uma barreira real que mantém mães presas ao desemprego. Diante do descaso, ela afirma que buscará medidas judiciais caso perca a oportunidade definitiva de assumir o concurso. "Eu tô à mercê da boa vontade da SMED de me ceder uma vaga", conclui.

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