
O Rio Grande do Sul vive um cenário epidemiológico crítico neste outono. De acordo com o mais recente Boletim InfoGripe da Fiocruz, o estado já contabiliza 3.516 internações e 228 óbitos decorrentes da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apenas neste ano. Sob decreto de emergência em saúde pública desde abril, o território gaúcho enfrenta uma "tempestade perfeita" de vírus sazonais, com destaque para a Influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), este último sendo o principal responsável pela lotação de leitos pediátricos voltados a crianças menores de 2 anos.
Os números da Secretaria Estadual da Saúde (SES) detalham a pressão sobre o sistema: além da SRAG, foram registradas 747 internações por vírus diversos, 568 por Influenza e 307 por Covid-19. Para tentar conter o avanço, o governo aposta no programa Inverno Gaúcho com Saúde 2026, que já habilitou 45 hospitais para a abertura de 106 novos leitos pediátricos específicos para síndromes respiratórias. A meta final é disponibilizar 604 leitos extras em todo o estado, sendo 446 destinados ao público adulto.
Apesar do esforço logístico, a imunização enfrenta gargalos. Muitos municípios relataram o esgotamento dos estoques da vacina contra a Covid-19. Em resposta, a SES garantiu que receberá 100% da demanda solicitada ainda nesta semana, incluindo um novo lote de 264 mil doses contra a gripe. A expectativa das autoridades é que a normalização do estoque de vacinas e a abertura acelerada de leitos consigam achatar a curva de hospitalizações antes do início oficial do inverno, período em que as temperaturas costumam cair drasticamente no Sul.