
Os leitos hospitalares de Porto Alegre atingiram o nível crítico de 98% de ocupação na manhã desta sexta-feira (8), conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). O cenário mais alarmante concentra-se nas emergências: a UPA Moacyr Scliar, na zona Norte, opera com surreais 394% de lotação, sendo que a maioria dos pacientes (63%) provém de outros municípios. Outras unidades, como Bom Jesus (162%) e Cruzeiro do Sul (163%), também trabalham muito acima do limite.
Diante do esgotamento, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que registrou 161 pacientes na emergência adulta, anunciou restrição máxima pelas próximas 24 horas. Durante este período, a instituição aceitará apenas casos encaminhados via Samu. A SMS atribui a explosão na demanda ao início da sazonalidade de doenças respiratórias e ao aumento de casos de gastroenterite.
A crise não se restringe à Capital. O Governo do Estado publicou o Decreto 58.754, declarando emergência de saúde pública por 120 dias em todo o Rio Grande do Sul. O foco principal é a pediatria, setor que sofre com um salto drástico nas internações:
Aumento de 376,9% nas hospitalizações por rinovírus no estado.
Salto de 528,6% nas internações entre menores de 12 anos.
Para tentar conter o colapso, a prefeitura anunciou a ativação de 30 novos leitos da Operação Inverno na próxima segunda-feira, incluindo 10 de UTI pediátrica. O plano prevê um investimento de R$ 24,5 milhões, sendo a maior parte destinada à saúde e R$ 2,5 milhões para assistência social (acolhimento e cobertores).
A Sociedade de Pediatria do RS reforça o alerta às famílias: a vacinação é a principal defesa, e sinais como febre alta persistente e dificuldade respiratória em crianças devem motivar a busca imediata por atendimento médico.