Segunda, 04 de Maio de 2026
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Anvisa autoriza Butantan a produzir vacina contra chikungunya

Imunizante Butantan-Chik será fabricado no Brasil para reduzir custos ao SUS; estudos apontam eficácia superior a 98% contra o vírus

Redação
Por: Redação Fonte: Correio do Povo
04/05/2026 às 17h30 Atualizada em 04/05/2026 às 18h50
Anvisa autoriza Butantan a produzir vacina contra chikungunya
Foto: Reprodução

O Instituto Butantan deu um passo decisivo para a soberania sanitária brasileira ao receber o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fabricação nacional da vacina contra a chikungunya. O imunizante, batizado de Butantan-Chik, já havia sido aprovado no país em abril de 2025, mas a produção dependia da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Agora, com a nacionalização do processo, o diretor do instituto, Esper Kallás, destaca que a instituição pública poderá oferecer o produto ao Sistema Único de Saúde (SUS) por um preço significativamente menor, mantendo o padrão internacional de qualidade e segurança.

A eficácia da Butantan-Chik é sustentada por testes clínicos rigorosos envolvendo 4 mil voluntários. Os resultados foram impressionantes, mostrando que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes contra a doença. Além da proteção robusta, o imunizante demonstrou ser bem tolerado pelo organismo, apresentando apenas eventos adversos leves ou moderados. Essa vacina é pioneira globalmente, já tendo sido registrada em mercados exigentes como o Canadá, a União Europeia e o Reino Unido antes de consolidar sua presença em solo brasileiro.

Cenário Epidemiológico e Prevenção

A urgência para a produção em massa é justificada pelos números alarmantes da doença no Brasil. Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika, a chikungunya é notória por causar febres altas e dores articulares que podem se tornar crônicas e incapacitantes. No ano passado, o Ministério da Saúde contabilizou quase 127 mil casos prováveis e 125 óbitos. Em 2026, a tendência de alta se mantém, com mais de 37 mil registros e 21 mortes confirmadas apenas nos primeiros meses, levando municípios como Dourados (MS) a decretarem estado de emergência.

Atualmente, o Brasil já realiza estratégias piloto de vacinação para entender o comportamento do imunizante na rede pública. Cidades paulistas como Mirassol e Bady Bassitt, além da própria Dourados, já disponibilizam as doses para moradores na faixa etária de 18 a 59 anos em suas unidades básicas de saúde. Com a fabricação local pelo Butantan, a expectativa é que essa cobertura deixe de ser regionalizada e passe a integrar o Programa Nacional de Imunizações, oferecendo uma barreira definitiva contra mais uma arbovirose que sobrecarrega o sistema de saúde brasileiro.

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