Sexta, 24 de Abril de 2026
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Polícia indicia PM e familiares por desaparecimento e morte de família em Cachoeirinha

Policial e cúmplices indiciados por assassinatos em Cachoeirinha, janeiro

Redação
Por: Redação
24/04/2026 às 19h34 Atualizada em 24/04/2026 às 19h39
Polícia indicia PM e familiares por desaparecimento e morte de família em Cachoeirinha

O inquérito sobre o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar e de seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, ocorrido no final de janeiro, teve novos desdobramentos nesta sexta-feira com o indiciamento do policial militar Cristiano Domingues Francisco e de outras cinco pessoas. Além do soldado da Brigada Militar, foram indiciados sua companheira atual, a mãe, o irmão, o cunhado e um amigo, sob a acusação de colaborar com o principal suspeito e obstruir o trabalho investigativo. Segundo o delegado Anderson Spier, embora não existam provas de que os cinco familiares e amigos tenham participado diretamente da execução dos crimes ou da ocultação dos cadáveres, há convicção de que eles mentiram e esconderam evidências para proteger o policial.

Cristiano Domingues Francisco responderá por uma extensa lista de crimes, incluindo feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. A investigação detalhou um plano sofisticado onde o policial teria utilizado um software de inteligência artificial para simular a voz de Silvana. De acordo com o delegado Ernesto Prestes, o suspeito escrevia textos e os convertia em áudio para atrair os sogros para uma armadilha, utilizando uma falsa história de acidente de carro para convencê-los a sair de casa.

Apesar de meses de diligências intensas em áreas rurais de Gravataí, os corpos das três vítimas ainda não foram localizados. A perícia técnica não encontrou vestígios de sangue ou sinais de luta nas residências, o que reforça a hipótese de que as mortes tenham ocorrido por asfixia mecânica. O veículo Volkswagen Fox, capturado por câmeras de monitoramento e possivelmente utilizado no transporte dos corpos, também permanece desaparecido. A motivação central para o crime seria a disputa pela guarda do filho do ex-casal, um menino de 9 anos que atualmente permanece sob os cuidados dos pais do agressor.

O desfecho do inquérito policial abre agora um novo capítulo jurídico, especialmente no que diz respeito ao destino da criança. O advogado da família de Silvana, Gilmar Souza Vargas, destacou que o indiciamento formal será utilizado para contestar a guarda do menor. Enquanto as buscas pelos corpos continuam, a Justiça deve analisar as denúncias apresentadas pela Polícia Civil para dar início ao processo penal. A defesa dos indiciados foi procurada para se manifestar sobre as conclusões da Central de Gravataí, mas ainda não emitiu uma nota oficial sobre o caso.

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