
O Hospital Tacchini Bento Gonçalves ampliou a adoção de um protocolo que reduz o jejum pré-operatório entre pacientes internados. A medida faz parte da qualificação do cuidado antes e depois das cirurgias e, segundo a instituição, já mostra ganhos em segurança, conforto e recuperação. O conteúdo foi publicado pelo próprio hospital nesta terça-feira, 22 de abril de 2026.
De acordo com o hospital, a implementação em maior escala começou em 2025 e beneficiou cerca de 400 pacientes no último ano. Antes da mudança, o tempo médio de jejum para alimentos sólidos chegava perto de 20 horas. Com o novo protocolo, esse período caiu para cerca de 4 horas, com uso de solução à base de maltodextrina em casos indicados.
A instituição afirma que a redução do jejum pré-operatório ajuda a diminuir fome, sede e ansiedade no período que antecede a cirurgia. Também pode reduzir o estresse metabólico provocado pelo procedimento. Segundo o nutrólogo Marco Antônio Grando, a estratégia busca atenuar a resposta do organismo ao trauma cirúrgico e favorecer uma recuperação mais adequada no pós-operatório.
Para ampliar a prática, o hospital informou que realiza desde março ações presenciais de treinamento no Centro Cirúrgico. As atividades são conduzidas por profissionais da Nutrição e da Anestesia, com foco em orientar a equipe assistencial sobre a adequação do tempo de jejum antes das cirurgias.
A iniciativa integra o Projeto ACERTO — sigla para Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória — implantado no hospital em 2022. No início, o projeto era voltado a pacientes submetidos a cirurgias oncológicas. Hoje, a abreviação do jejum já é aplicada na maioria das cirurgias eletivas em pacientes internados, sempre após avaliação da equipe e sem uso automático para todos os casos.
Segundo a coordenadora da equipe multidisciplinar, Fernanda Dalle Laste, a conduta é definida após análise prévia do painel cirúrgico e alinhamento com o anestesista responsável. Quando não há contraindicação, é prescrita a ingestão da solução com maltodextrina diluída em água até cerca de três horas antes da cirurgia. A instituição ressalta que a indicação é individualizada e depende de critérios de segurança.