
O assassinato de Bernardo Uglione Boldrini, ocorrido em 2014 em Três Passos, completa 12 anos mantendo-se como um dos episódios mais chocantes da história recente do Rio Grande do Sul. O caso, que envolveu uma complexa trama de negligência e crueldade familiar, resultou na condenação de quatro pessoas em 2019, cujas situações penais e pessoais sofreram alterações significativas nos últimos anos.
Em uma decisão de julho de 2025, o Judiciário gaúcho ampliou as sentenças de Leandro Boldrini (pai) e Graciele Ugulini (madrasta). Ambos receberam um acréscimo de 13 anos e 15 dias de reclusão pelo crime de tortura, a ser cumprido em regime fechado, além de penas por abandono material. Por outro lado, a acusação de submissão a vexame e constrangimento foi extinta devido à prescrição.
O desfecho para os condenados apresenta realidades distintas no sistema prisional e profissional:
Leandro Boldrini: Além da condenação criminal, sofreu uma derrota administrativa definitiva. Após recurso do Ministério Público, o Conselho Federal de Medicina (CFM) cassou seu registro médico, impedindo-o permanentemente de exercer a profissão. Ele foi formalmente desligado do Hospital Universitário de Santa Maria.
Graciele Ugulini: Cumpre sua pena atualmente no Instituto Penal de Santo Ângelo, onde exerce atividades de trabalho na cozinha da unidade.
Edelvânia Wirganovicz: A amiga da madrasta, que confessou participação na ocultação do corpo, foi encontrada morta em abril de 2025 no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre. A principal linha de investigação das autoridades aponta para suspeita de suicídio.
Evandro Wirganovicz: Irmão de Edelvânia, condenado por homicídio simples e ocultação de cadáver, é o único que já concluiu o acerto com a Justiça. Sua pena de nove anos e seis meses foi extinta em janeiro de 2024, e ele encontra-se em liberdade.
Bernardo Boldrini tinha 11 anos quando desapareceu em abril de 2014. Seu corpo foi encontrado dez dias depois, enterrado em uma cova vertical em uma propriedade rural. As investigações revelaram que o menino sofria episódios sistemáticos de maus-tratos e que sua morte foi planejada pelo núcleo familiar com o auxílio dos irmãos Wirganovicz, utilizando uma superdosagem de medicamentos.